16 abril 2010

Lua de Sangue - Capítulo 2

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In morte heretici glorificatur Christus

- Eu sei que esta ai Lenore, pode sair de trás da cortina. –disse Nateniel.
Logo em seguida,uma criatura com aparência medonha,com um rosto pálido,contudo sereno. 
- Desde quando você me segue sem fazer estragos – complementou o lobo.
-Sempre engraçado meu amor – disse Lenore.
- Suma daqui ou eu te mostro com quantos exorcismos se desfaz uma Banshee. – disse.
-Calma, Nate,estou aqui porque o Victorios me mandou.- disse.
- O que aquele vampiro maldito quer de mim ? – disse Nateniel.
- De você ? Por que tem que ser somente você envolto na situação? – disse a Banshee.
- Então o que é ? – respondeu.
- Bom,não preciso falar que o todos os jornais televisivos estão falando sobre o que aconteceu noite passado no metrô –Preciso ? – Ironicamente, o fantasma resmungou.
-Não,prossiga com sua baboseira,fantasma – disse Nateniel.
-Bom. Victorios disse que ele desconfia da família dessa garota que você esta (...) – Como é mesmo a palavra – Furnicando.
-Maldito fantasma – Se eu pudesse...- disse.
-Calado lobo- disse a Banshee.
- Ai vai os detalhes da sua missão escravo: - Você deve ficar junto dessa garota e descobrir tudo sobre ela e a família- Victorios acha que eles são uma antiga família de caçadores de vampiros.Descubra,e se for verdade: Elimine-os.
-Ok.Odeio seu mestre. – disse o lobo conformado.
- É eu sei que você odeia - Um segredo-Eu também. –disse Lenore antes de desaparecer no ar,deixando a atmosfera fria.

Vampiros há muito tempo exterminaram praticamente todos os lobisomens,haviam algumas matilhas espalhadas pelo mundo,porem nenhuma delas jamais se mostrou para a sociedade com medo da retaliação da parte dos sanguessugas.

Nateniel,resolveu fazer uma busca pela casa de Julia,no intuito de desvendar coisas sobre a família da garota,coisas que os incriminassem,e que pudessem condená-los. 
Decidiu começar pela escada que dava para o subsolo da casa,e ficava ao lado da escada que ia para o andar superior. 
Revelando um porão,sem característica alguma de porão,mais parecia um deposito de alimentos,mas muito bem limpo e iluminado. 
Caminhando silenciosamente,e farejando.Para um lobisomem era fácil achar coisas que supostamente deveriam estar escondidas,por exemplo armamentos de caçar vampiros,o cheiro do ouro das balas seria fácil de detectar.
Lobisomens não tinham muita resistência a prata,pois ela purificava o sangue,deixando-os incapazes de se transformarem e assim vulneráveis.
Vampiros não suportam a luz do sol,portanto balas feitas de ouro,que acredita-se ser o metal do sol,os antigos,faziam rituais,dedicando armas de ouro antes de ir caçar vampiros.
O lobo pesquisou todos os cantos,porem nada foi encontrado,assim decidiu continuar sua busca pela casa.

Procurou por cada canto da mansão,porem,nada.E não dera conta da hora,oito da noite em ponto. Julia ainda não havia chegado – Foi o primeiro pensamento do lobo ao ver a hora.

Nateniel decidiu ir atrás de Julia.Parou em frente a mesa da sala de Jantar,pegando um papel,como que por instinto.Nele estava escrito o endereço da escola da garota. 
Assim,em seguida,saiu pela porta da frente,rápido,sem nem abrir o portão da casa,Nateniel já ganhava a rua após um salto sobre humano por cima do muro.
Analisando calmamente a rua,Nateniel não viu ninguém que pudesse te-lo visto pulando o muro.


A única coisa que chamou-lhe a atenção,foi o barulho do cavalgar pesado de algum cavalo que estava próximo dali. 
Nateniel inalou o ar da noite.Sentindo cada fragrância que por ali havia.Ouro foi uma delas.Mas de onde poderia estar vindo este cheiro de ouro.
Nateniel não teve tempo de olhar mais a fundo de onde vinha o cheiro,um cavalo negro enorme,com armaduras azuis e douradas o atingiu,fazendo com que ele perdesse o chão,caindo perto da sarjeta. 

-Mas que merda foi essa – disse Nateniel tentando se levantar,olhando para os lados,procurando pelo cavalo.
Parado ao lado do cavalo,um homem,aparentemente velho,com seus cinqüenta anos,isto era indicado pelos cabelos brancos que saiam do seu chapéu.Seus olhos ainda aguardavam misteriosamente para serem revelados, já que estavam cobertos por um par de óculos pequenos e redondos com as lentes escuras.
O braço direito do homem não parecia ser mais feito de carne,no lugar havia uma replica do braço,três vezes mais robusto,coberto por placas de ouro,em sua mão direita segurava uma Magnum.44 também feita de ouro.

-Me desculpe pelo meu cavalo jovem,mas ele sempre age assim quando esta perto de lobisomens. – Disse o homem.
- Que indelicadeza a minha,meu nome é Isaac –disse .
-O que você quer?- disse Nateniel,ainda atordoado.

-Na verdade não é o que eu quero,mas sim o que você quer meu caro.- Disse Isaac.
- O que eu quero ? – Nateniel disse espantado.
- Sim...sim. O que você deseja – Se não estou enganado a estória se repete.Eu me lembro da ultima vez Nateniel.Você tentou salva-la de Victorios,mas falhou.-disse Isaac.
-Falhei? Com quem ? Do que esta falando? –Perguntou confuso.
-Minha filha,não se lembra? – Aquela garota que deu sua vida para você,lobo maldito.-Disse.
Nesse momento,todas as memórias até então escondidas na escuridão da mente de Nateniel foram postas a tona,em um despertar rápido e violento.
-Não foi minha culpa,como eu saberia que meu próprio irmão estaria me traindo com os vampiros ? – respondeu Nateniel. 
-Não de desculpas lobo,não estou aqui para te matar.Estou aqui,porque preciso de você,para digamos (...)terminar um assunto para mim. –Disse Isaac.
-Diz logo o que você quer!- disse o lobo em um tom furioso.
-Bom,a garota que esta com você –ELA é a reencarnação da minha filha.- disse .
-Mas como,você é humano.Como consegui ficar vivo tanto tempo –Disse Nateniel pasmo.
-Eu usei de todo o meu conhecimento.E com o sangue vampirico, consegui um elixir para a vida eterna.Porem tudo tem seu preço.Meu corpo não vai agüentar por muito tempo – Não sei como agüentou por todos esses séculos.-disse. 
-Ok.O que você quer que eu faça -Minha real missão é matar a família dela. –Disse Nateniel.
-Você segue as ordens de Victorios ainda lobo? – Indagou.
-Sim.Mas,cada dia que passa,meu ódio por aquele vampiro cresce mais e mais.Infelizmente,não tem como me rebelar.-Disse.
-Você sempre foi fraco Nateniel. –disse Isaac –Não sei como deixei a vida da minha amada filha Bianca em suas mãos .

O lobo olha diretamente para dentro das lentes negras,como se enxerga-se a alma de Isaac,e ele,sentia medo do garoto lobo.
Lobisomens são instáveis,isso causa medo em qualquer um que desafie-os. 
Nateniel soltou um grito de dor,alertando Isaac,que ele havia despertado o lobo no interior do rapaz.Seus ossos se rachavam,moldando o seu corpo.A transformação estava ocorrendo porem,Isaac,era um veterano nisso.Não deixaria a única coisa que o colocaria em desvantagem acontecer,disparando com sua Magnum.44 contra o semi transformado lobisomem.
Balas de prata atingiram o corpo dele,porem,ao contrario do que Isaac achava que iria ocorrer, o rapaz se levantou,mesmo que os projeteis tenham atingido-o.

-Eu também evolui esses anos Isaac –Disse Nateniel em suas ultimas palavras,ainda que semi humanas,que aparentavam ser um tom primitivo de comunicação. 
-Droga. –Disse Isaac,pegando um sabre que estava sob seu casaco de couro.Era um sabre de prata.

Isaac partiu correndo para cima do lobo monstruoso.Em um golpe suave mais preciso,ele tinha certeza que havia atingido a criatura em cheio.Porem ao virar-se,o lobo estava sobre o muro da casa de Julia,olhando para ele com ar jocoso. 
Os dois se encararam.Um rosnando de um lado e o outro pensando exaustivamente em como derrubar o seu inimigo.Uma chuva pesada e violenta tinha inicio junto ao conflito dos dois.

Nateniel,partiu para cima de Isaac,cortando a chuva com suas garras.Isaac,se defendia a cada golpe que a besta dava,esquivando-se,ou usando de seu braço feito de ouro.
Nateniel,estava enfrentando um inimigo finalmente a sua altura.Após varias tentativas, o lobo se afasta de Isaac,porem,desta vez, ele foi descuidado,recebendo um golpe certeiro,deferido pelo braço direito do homem,Nateniel mais uma vez perdeu o chão sendo arremessado longe. 

-Vira lata,vocês nunca mudam,sempre acham que força bruta ganha da ciência. –Disse Isaac.

O lobo se levantou rapidamente,seus olhos estampavam ódio.Nenhum lobisomem gostava do termo “Vira latas”,partindo novamente em seguida de encontro a Isaac,com toda a sua força.
O homem por sua vez largou o sabre e se preparou para o encontrão.
Não seria fácil suportar o impacto,porem seria necessário,se ele quisesse sobreviver. 
O braço direito iria fazer a função de escudo,pois ele era o mais resistente.De sua manopla dourada,uma estranha claridade azulada era emanada,iluminando o rosto de Isaac.
Nateniel não ligou para um possível perigo e atacou,o impacto fez Isaac ser jogado para trás,porem junto do lobo,já que este estava com seus dentes presos na manopla,a claridade azul, na verdade era eletricidade.
Os dois,com a chuva foram eletrocutados com toda a força.Nateniel foi arremessado contra um carro que jazia parado ao lado esquerdo da rua vazia.Por sorte nem uma alma viu o confronto dos dois poderosos combatentes.
Isaac,encontrou um poste de luz ao lado direito da rua,a força fora tanta que a estrutura não agüentou,partindo-se ao meio,por sorte Isaac não foi atingido .


Nateniel estava desacordado,assim como Isaac.

(...)



Autor: Jimmy

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15 abril 2010

Lua de Sangue - Capítulo 1

In morte heretici glorificatur Christus
A lua era crescente sobre São Paulo.
Dentro de um vagão vazio como um cemitério estava um rapaz, com feições tristes, cabelos emaranhados, como se não houvesse tomado banho há dias, suas vestes estavam abarrotadas e sujas, parecendo que ele havia caído em uma poça de água suja em alguma avenida da imunda São Paulo, suas roupas eram básicas, um jeans rasgado, botas militares, uma camiseta preta e um casaco de couro marrom todo rachado.
Seus traços eram jovens, beirando no máximo vinte anos, nada mais que isso.
Do outro lado do vagão, sujo e semi iluminado, estava um grupo de jovens que por sua vez pareciam pertencer a uma classe mais favorecida da sociedade, com mais posses, dentre eles o que mais chamava a atenção era uma garota de cabelos negros, usando um óculos fino de armação dourada, sua pele branca e delicada como porcelana dava contraste com o óculos, suas feições eram totalmente diferentes do rapaz que estava do outro lado do vagão, ela era linda como um anjo e ele apagado com um espírito solitário. 
Os outros que a acompanhavam ostentavam sorrisos estampados em suas faces, com suas roupas caras e objetos eletrônicos de ultima geração. 
A minhoca de metal havia chegado em mais uma estação, eram meia noite e meia, não haveria muitas pessoas na plataforma nesse horário.
Porem um bando de punks esperava o metrô, um mais diferente que o outro, com cabelos moicano pintados em cores sintéticas, parecia uma alegoria maluca em apologia à loucura. Eram oito deles, todos tinham uma coisa em comum, um símbolo de gangue nas jaquetas de couro e jeans.
Eles entraram no mesmo vagão aonde a garota angelical e seus amigos estavam.
Fazendo arruaças, gritando e se batendo, pararam encostados na porta esquerda, olhando para os jovens que a momentos atrás estavam rindo e brincando entre si, agora eram somente pessoas caladas de medo dos novos companheiros de vagão.
Ao outro lado do vagão, o rapaz estava, tranqüilo olhando para o chão, sem ao menos ligar para os punks, que continuavam a gritar e fazer bagunça.
A garota com cara de anjo, estava sentada ao lado de um garoto grande e musculoso com uma camiseta negra escrito “Jiu-Jítsu”-Ele era um praticante da arte marcial. A garota se sentia protegida tendo ele ao seu lado.
-Marcelo -disse ela. -Quem são esses?-perguntou referindo aos punks 
-São a devastação punk – Disse Marcelo, o garoto com a camiseta “Jiu-Jitsu”, cochichando.
Por mais que ele estivesse tentando ser o mais discreto possível, um dos punks percebeu a conversa, mesmo que a conversa fosse não intencionada a falar deles, mais cedo ou mais tarde eles iriam se intrometer no outro grupo, mas ainda sim agora que o assunto eram os próprios punks isso traria outra visão para a situação.
-Hey Yuri, olha aquela garota lá “ta” falando de “nois”-Disse um punk, com aparência assustadora.
Os punks não precisaram de diálogo interno para agir, fechando uma roda no grupo de jovens que estava sentado logo à frente deles.
Não medindo conseqüências um dos punks puxa Marcelo do banco aonde estava, deixando a garota de óculos perfeitos e pele linda olhando para eles com medo.
Logo mais um deles, esse parecendo o líder do grupo, agarrou a garota pelo braço tirando-a do banco e jogando-a ao chão junto dos amigos que já estavam na mesma posição.
Observando tudo de longe, o garoto decide fazer algo, por mais que ele estivesse sozinho, e não tivesse porte físico para lutar contra esses punks, ele se levantou e foi em direção ao grupo de arruaceiros nojentos.
Andando calmamente, com um ar sereno, como uma manhã calma de outono.
-Otários, como vocês me dão nojo – Disse o garoto, olhando diretamente para o líder dos punks, como se por instinto ele soubesse que este desse as ordens para o grupo.

Logo um dos punks sem pensar, como de costume, partiu para cima do garoto.
Que com uma mão segurou o punk pelo pescoço. -Escória, não merece piedade -Disse o garoto em uma voz forte porém rouca, como se estivesse com as cordas vocais machucadas, talvez por pegar friagem nas ruas ou por algum resfriado adquirido pela falta de higiene.
Arremessando o punk contra a porta no fim do vagão. A porta se contorceu com a força do encontro entre o corpo do rapaz.
Em seguida, sem ajudar o amigo, uma garota punk pegou um canivete de seu bolso partindo em seguida para cima do garoto maltrapilho.
O ímpeto dela quase fazia com que os espectadores achassem que sairia vitoriosa, porém o seu ímpeto era inútil, o garoto simplesmente esquivava dos golpes, sem mostrar ficar cansado.
-Não quero machucar você –disse
- Você não quer, mas eu quero muito arrancar suas tripas seu lixo- Disse a garota punk de cabelos de cor arco-íris, voltando aos ataques com seu canivete, desta vez ela havia conseguido algo, olhando com prazer enquanto um líquido rubro pintava a lâmina enferrujada da arma branca.

O garoto foi se afastando lentamente, olhando para o ferimento. Os punks riam sem parar, haviam acabado com o desafortunado que quis dar uma de herói contra eles. Porém, o garoto agora estava com algo diferente em seu rosto. Seus olhos estavam ficando negros, os barulhos de seus ossos quebrando, moldando seu corpo, suas mãos estavam ficando cobertos por pêlos negros e suas unhas davam lugar a garras enormes.
Jogando sua jaqueta de couro no chão, gritando de dor :Vocês não deviam ter feito isso !.
Sua face estava alongando, dentes compridos estouravam seus dentes humanos, sua espinha dorsal estralava com força e seus gritos eram mais fortes e mostravam o sofrimento que ele sentia, por último, suas orelhas haviam ficado compridas como a de um lobo, a transformação estava completa, o garoto havia revelado o que ele realmente era, um lobisomem.
Os punks haviam ficado parados, todos suavam frios. Os jovens que estavam no chão choravam de medo.
Enquanto o vagão deslocava-se vagarosamente pelo túnel escuro, eles presenciavam algo que nunca pensavam que poderia existir.
A criatura por sua vez, usando de suas enormes mandíbulas agarrando a cabeça da garota punk, e em um leve movimento, despedaçando-a, o sangue se misturava aos miolos e os últimos fios de cabelo que ainda apresentavam alguma cor, enquanto os outros começaram a correr, passando pela criatura que se alimentava da ironicamente pobre garota arco-íris.
Mas a distração durou poucos segundos, assim que o monstro percebeu que os punks fugiam. Os jovens ainda estavam deitados no chão chorando de medo.
A criatura olhou para os adolescentes ao chão, eles seriam uma presa perfeita, entretanto, não era eles que o monstro queria, mas sim os responsáveis pelo seu ferimento.
Colocando-se sobre as quatro patas ele correu, estremecendo o chão fraco do vagão . Os punks estavam encurralados do outro lado, pois a porta não abria, estava trancada pelo outro lado.
Uma seqüência de gritos, e de uma interminável dor seguiu-se, enquanto os punks encontravam uma morte horrível nas garras do enorme lobo negro.
Os outros jovens, também não tinham para onde ir, e nem o punk que havia sido jogado contra a porta, suas pernas estavam presas, e ele seria a próxima vítima do monstro, porém os adolescentes ao chão não haviam percebido o prêmio que haviam ganhado aquela noite, a afeição de um lobisomem, e também sua proteção, mas a linha entre ódio e respeito que um lobo segue é bem tênue, e pode ser quebrada a qualquer momento pela menor das tormentas.
O lobo caminhou sobre as duas patas, lentamente. Ele estava coberto de sangue, e vinha comendo um pedaço do membro de algum dos punks.
Um dos jovens, o Marcelo, o garoto mais forte do grupo, resolveu bancar o herói, pegando o canivete que a punk utilizava e partiu para cima do monstro, com um golpe concentrado com seu braço direito. O lobo simplesmente repeliu o ataque com força e astúcia, agarrando a mão do jovem, levantando-o.
-Sua coisa nojenta -Disse Marcelo com medo e ao mesmo tempo com imponência em seu tom de voz.
O lobisomem com seus dois metros e oitenta analisou de cima a baixo o garoto que ele segurava, jogando-o para trás, como se ele não fosse de interesse. 
Caminhando mais uma vez, desta vez sem interrupções, alcançando o punk que estava com suas pernas presas na porta, dando assim um fim no rato imundo, arrancando-lhe a cabeça.
Um uivo ostensivo foi solto pelo lobisomem, mostrando sua imponência.

O monstro foi voltando para a forma humana. Suas roupas ainda estavam no corpo, porém não aguentariam outra transformação.
Andando para longe do monte de tripas que havia sobrado do punk, ele pegou sua jaqueta de couro, colocando-a sobre seu corpo ensanguentado. Virando-se de costas, indo em direção a porta do vagão, como se não tivesse acontecido nada.
O garoto estava parado olhando para o vidro da porta, e podia ouvir os choramingos dos jovens. Porém, uma doce voz chamou-lhe a atenção – Você tem nome -Perguntou a garota angelical.
-Sim. Nateniel. -Disse.
-Nome único -Disse. -Meu nome é Julia. -complementou a garota. Como se tivesse importância para o lobo.
Marcelo, por sua vez levantou-se olhando o garoto, estarrecido e com raiva. -Seu animal, você não é diferente daqueles punks que massacrou essa noite.
-Não ligo. -disse o lobo, saindo do vagão na plataforma da estação Trianon-Masp. 
Julia, sem pensar foi atrás do garoto que já estava subindo as escadas.
Seus amigos tentaram segui-la,mas as portas se fecharam bruscamente, deixando-os presos dentro do vagão junto aos cadáveres dos punks que finalmente encontraram o que mereciam.
-Me espera –Julia gritou enquanto corria atrás do garoto, que por sua vez, fingiu não ter ouvido e continuou a andar apertando o passo. 
O garoto começou a correr. E Julia também corria tentando alcançá-lo.
Porém o garoto era rápido demais.
Julia estava ficando cansada, e a realidade havia chamado.
“Droga ! Eu estou longe de casa, e já são uma e meia da manhã, minha mãe vai me matar-Preciso correr e voltar para a estação - Disse para si mesma.
A avenida estava vazia, os semáforos estavam piscando amarelo: ”Atenção” .
Julia já não sabia o que fazer, não tinha como voltar para casa, e só tinha dinheiro para pegar um metrô ou ônibus. Porém nenhum desses meios de transporte estavam disponíveis há essas horas. 
O desespero começou a bater, Julia com medo sentou-se na calçada.
Pensando no que fazer para sair dessa.
“Sua burra.” –Reclamou.-“Você tinha que ir atrás daquele maltrapilho, não poderia ter somente agradecido ele, deixando-o ir em seguida”-Continuou em seus pensamentos. 
Hey -disse uma voz já conhecida pela garota- Perdida ?-Perguntou com ironia.
-Você- Com tom de ódio – Seu maldito, por que me deixou para trás- Completou com mais ódio sua frase.
- Calma eu te tiro daqui, vamos –Disse Nateniel. 
-Como se não tem nenhum transporte público nessa maldita cidade à uma hora dessas. –disse Julia.
-Bom, isso eu não posso providenciar, mas mesmo assim te levo para casa. -disse – Aonde você mora ?-Indagou-a.
-ABC paulista, Ribeirão Pires para ser exata. -Disse Julia. 
-Longe. Não importa. -Disse.
Nateniel, ajoelhou-se, seu corpo começou a emitir enormes barulhos de ossos rachando. Julia sabia o que vinha, mesmo assim não teve medo.
O garoto foi tomando a forma bestial, seu corpo havia dobrado de tamanho e os olhos vagos e tristes haviam dando lugar a duas esferas negras de pura raiva e ódio.
Colocando-se sobre as quatro patas, Nateniel, agora um monstro sem nome, com um leve sinal com sua cabeça, indicou para Julia subir em suas costas. Ele a levaria até o seu destino.
Para lobisomens percorrer longas distâncias correndo sobre as quatro patas não gerava cansaço algum.
Julia abraçou o monstro com força, o calor do corpo dele fez com que ela se sentisse protegida. Enquanto ele corria a toda a velocidade, a paisagem da noite a fazia pensar se aquilo era um sonho, ou se simplesmente ela havia enlouquecido de alguma maneira e a realidade era outra e ela estava privada disso.
Colocou sua face contra o pelo negro do lobo, e se aconchegou. A viagem seria calma, por mais que a corrida do monstro fosse bruta. 

Para Julia apenas havia passados alguns minutos, porém, na realidade, Nateniel estava correndo fazia uma 
hora, e já havia entrado na cidade aonde a garota havia dito que morava.

-Pare-disse a garota.
Nateniel em uma resposta imediata parou, segurando o peso de seu corpo com as patas traseiras, fortes e musculosas. 
Julia desceu das costas do lobo, apontando aonde ele deviria seguir.
O lobo focou seus olhos, com sua visão aperfeiçoada para ambientes noturnos, outra vez fez sinal com cabeça, porém Julia desta vez não aceitou.
-Vamos andando juntos, lado a lado, você não é meu escravo ou montaria.
O lobo, de imediato fez um movimento leve com a cabeça, indicando que havia entendido o que a garota havia dito. 
Calmamente olhando para a lua, Julia voltou-se para o lobo e perguntou, por mais que não teria resposta.
- Você não precisa de lua cheia(...)para ser o que você é ? 
O lobo entendeu, porém, respostas eram impossíveis de serem emitidas. Somente rosnados irritados puderam ser ouvidos pela garota. Isso aparentemente indicava que ele não queira responder ou ouvir perguntas.
Após alguns minutos andando por uma extensa avenida, Julia aponta uma casa enorme, era branca com muros altos. Nateniel olhou para a garota com um ar de missão cumprida.
Julia por sua vez, fez um sinal, convidando o lobo a entrar na casa junto dela.
Sem entender nada Nateniel sentou-se sobre as quatro patas como uma cão esperando uma ordem de seu dono.
-Você consegue voltar a ser humano –Disse Julia, sem acreditar no que estava falando.
Nateniel, por sua vez foi tomando sua forma humana. Suas roupas já não existiam mais, somente trapos jogados por cima de seu corpo sujo.
-Entre, vou te dar algumas roupas do meu irmão, e você pode tomar um banho. -Disse
- Não posso, olha o que eu sou. Você viu o que eu fiz no vagão algumas horas atrás? -Eu sou um monstro. –Disse Nateniel. 
- Você salvou eu e meus amigos. -Devo isso para você. -E não é um monstro.
Nateniel sem respostas, aceitou entrar na casa da garota. 
A porta da frente era de folhas duplas, madeira de lei envernizada, os batentes banhados a ouro,condiziam com a riqueza dos detalhes da grande porta de entrada.
O garoto ficou espantado com os detalhes da entrada da casa.
Essa grande porta dava entrada para uma enorme sala de jantar.Com uma mesa ao centro feita de vidro, oito cadeiras estavam a volta da mesa, eram de madeira rústica, com adornos folhados a ouro também.
As paredes por sua vez eram brancas e ornavam com a grande mesa e com a lareira que ficava logo atrás da mesa perto de um sofá de couro branco e caro. 
Julia estava parada olhando Nateniel espantado com a beleza interna da casa.
Logo a garota se moveu suavemente para as escadas, o lobo a seguiu.
No andar de cima, havia uma sala com uma televisão de cinqüenta e duas polegadas e dois sofás de couro marrom, tão belos como o que estava na sala de jantar. 
Ao lado da sala havia um corredor que dava para os quartos e para uma porta aonde deveria ser o banheiro.


Julia deixou o garoto sorvendo o ar da casa, adaptando-se com o requinte e com a riqueza.
-hey -disse Julia chamando Nateniel . –Venha -complementou.
Nateniel caminhou calmamente para não fazer barulho. Não gostaria de ter problemas com os pais de Julia.
Seguindo-a até o banheiro.
-Tome um banho, limpe-se, eu vou pegar algumas roupas para você –Disse Julia com um tom mandatório em sua voz.
Dentro do banheiro mais uma vez ele notou a riqueza da família. Um espelho enorme junto da pia, adornada por molduras em gesso, as torneiras por sua vez eram emolduradas com ouro. Porém estas torneiras não deveriam ser ao menos tocadas. O cheiro de prata emanado por elas o repelia logo de cara.

Se desfazendo dos restos que estavam sobre seu corpo, ele abriu o vidro do Box e entrou em baixo do chuveiro, abrindo-o. Água quente encontrou seu corpo, uma sensação de alívio que ele não sentia há tempos tomou conta de sua mente. 




A sujeira em seu corpo ia se desfazendo junto da água para dentro do ralo. 
Havia se desligado do mundo agora. Não notando que a porta se abria. Julia observava a silueta do garoto dentro do Box de vidro todo embaçado. Ela estava segurando uma calça jeans preta de seu irmão, uma camiseta branca e um par de tênis all star. 
Mas ela não conseguiu pronunciar uma palavra, ficando parada observando o garoto.


Nateniel, por instinto já sabia que Julia estava observando-o. 
Porem não ligou, continuou em seu banho.


-hey,uhn...Estou deixando umas roupas aqui para você- Disse a garota. 
-Ok -disse o lobo. -Uhn só para constar,eu sabia que você estava ai. -disse.


A cor das bochechas da garota se tornaram rubras. E ela sem nem pensar fechou a porta do banheiro e foi para a cozinha pegar algo para seu convidado. 


Nateniel havia terminado seu banho. Porém ainda precisava fazer sua barba.
Começou a procurar um barbeador e creme de barbas. Seria uma tarefa árdua. Torneiras feitas de prata, não são nem um pouco amigáveis para um lobisomem. 


Minutos depois (...)




Nateniel passa pelo longo corredor indo em direção as escadas que levam ate a sala de jantar. Vagarosamente, desce-as. 
O cheiro de comida o atraia, seguindo o rastro ate a cozinha, aonde Julia estava sentada em pranto. 


-O que aconteceu? -disse o garoto.
-Meus pais foram viajar, levaram meu irmão e nem me avisaram antes. -Disse a garota.
-E qual o problema de eles terem te deixado aqui? -perguntou. 
-Odeio ficar sozinha nessa casa. -Disse a garota.


O garoto colocou sua mão sobre o ombro da garota, em um gesto de carinho. Coisa que ele não estava acostumado. 


Nateniel caminhou lentamente olhando a cozinha, não muito diferente do resto da casa este cômodo também era luxuoso. 


-Tem comida na panela- disse Julia.


O garoto foi olhar, era macarrão, requentado, porém ele não comia fazia um tempo, e carne humana, sustentava, porém não era a mesma coisa que sentir o gosto de um tempero e de uma coisa mais “sofisticada”.
Pegando a panela e um garfo que estava por ali mesmo, ele começou a comer.


Julia olhou para o garoto, que comia com vontade todo aquele macarrão. Ela sentiu um prazer ao ver a cena, algo forte bateu no peito dela.
Nateniel terminou de comer rapidamente. Olhando logo em seguida para o relógio.


-Droga ! Preciso ir – Esta perto do amanhecer. -Disse.
-Fica. -Disse Julia com um tom suave, uma voz doce, que dominou os pensamentos mais profundos do lobo.
Julia levantou-se chegando perto do garoto, segurando suas mãos e olhando bem dentro de seus olhos. 
Nateniel não entendia o que estava acontecendo. Julia em um movimento delicado beijou os lábios do garoto lobo, que não expressou reação.
“Quanto tempo eu não sinto isso, que calor estranho, sensação deliciosa, os lábios dela parecem mel puro.”
Julia não esperava, Nateniel partiu para outro beijo, em seguida um abraço forte e quente, Julia não sabia como reagir e simplesmente encostou sua cabeça no peito do garoto .
Os dois foram se beijando ate caírem no sofá da sala de jantar, aonde adormeceram abraçados.
(...)








A madrugada passou sorrateiramente.


Os raios do sol cortavam as cortinhas da sala de jantar. Nateniel ainda dormia e Julia estava na cozinha preparando o café da manhã, ela teria que ir para o colégio, deixaria o café para ele e o endereço de sua escola anotado em um papel em cima da mesa, caso o lobo quisesse vê-la novamente. 
Julia já estava arrumada, vestindo um uniforme de seu colégio, ENAU. Ela usava um laço vermelho e branco em sua cabeça, óculos escuros anos 80, bem como mandava o figurino de uma garota que tinha dinheiro e gosto como ela pensava. 


Havia comido uma fatia de pão com geléia. Havia também escovado os dentes e agora mascava um chiclete de menta.
Com sua bolsa nas costas ela se apressou e saiu pela porta da frente, sem fazer muito barulho para não acordar seu lobisomem, assim como ela pensava. 


(...)

Autor: Jimmy



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