06 fevereiro 2011

Perfeição

aprendendoMais uma sexta-feira que seria diferente. Com que ansiedade ele havia esperado essa noite chegar! No fim da tarde saíra do escritório um pouco mais cedo, fora ao supermercado e chegara em casa pronto para jantar com a mulher e os dois filhos.
— Papai, papai, olha o meu desenho...
— Pai, amanhã vamos ao estádio, não vamos?
— Querido, o molho está como você gosta?
Tudo perfeito, devidamente encaixado, cada coisa em seu lugar. Tinha uma bela família, um bom emprego, uma bela casa...O que faltava? Ele sabia o que era: emoção. Faltava sentir o sangue correndo rápido nas veias, mais do que o normal. Faltava o coração batendo rápido, como num frenesi louco. Faltava loucura, loucura que alimentasse sua alma e fizesse com que ele acreditasse que era humano, que estava vivo.
Despediu-se da esposa com um beijo. Ela estava linda, perfumada. Assim que voltasse de seu compromisso, faria amor com ela.
— Não vou me demorar.- ele prometeu.- Não durma antes de eu chegar, está bem?
michael-c-hall1Deixou o carro em um estacionamento no centro e foi caminhando até um barzinho com som ambiente. Não se podia negar que era um homem bonito em seus quarenta anos, bronzeado, que se cuidava. Assim seria mais fácil conseguir seu intuito.
Tinha que ser uma mulher sozinha, para que ninguém reparasse neles assim que saíssem dali. Escolheu aquela que seria a dona de seus desejos mais íntimos por aquela noite. Durante alguns momentos, ela seria única e ele tinha certeza de que serviria totalmente aos seus propósitos.
Branca, de longos cabelos castanhos. Gostava de variar. Na próxima semana seria uma morena, ou uma loira. Mas de uma coisa ele não abria mão: tinha que ser linda, escultural.
Ela estava sozinha, desprotegida, da forma como o excitava. Queria carinho, ansiava pela segurança e pelos momentos que eles poderiam passar juntos.

Não sabia como, sempre conseguia convencê-las a ir ao apartamento dele, um local que secretamente mantinha para o seu passatempo. Valia a pena pagar o aluguel, para desfrutar de momentos tão revigorantes.
Sem esperar muito, eles se entregavam completamente um ao outro. Ela era até mais linda do que a da semana passada, coisa que ele havia duvidado que conseguiria encontrar.
"Agora é só minha, para o que eu quiser...", pensava ele, enquanto ela gemia de forma deliciosa. Demorou-se com ela mais tempo do que o habitual, de tão bom que estava sendo vê-la sentir prazer.
"Serei o último...O último..."
mastersitemovies271837on9Mas ainda não era hora do seu clímax. Não, não daquela forma. Ele precisava de mais, do seu modo. Era preciso sangue, muito sangue. Foi o que fez. Torceu-lhe o pescoço, de forma rápida, para que ela não sentisse dor. E enquanto a esquartejava, finalmente chegava ao seu clímax, somente seu, solitário, da forma como ele mais gostava, fazendo o que lhe dava mais prazer.
Os pedaços colocou no freezer, junto com as partes da outra, a bela morena da semana passada. Já não lembrava mais o rosto dela. Só recordava como a sensação tinha sido boa, revigorante. Passara a semana toda relembrando cada momento, lembranças que o faziam vibrar, sentir-se vivo, renovado.
Agora havia dois corpos cortados no freezer. Precisava pensar em uma forma de se livrar deles, pois não haveria espaço para um terceiro. Pensaria nisso depois, agora ele iria para casa, fazer amor com sua esposa. E, no dia seguinte, iria ao estádio com seu filho.
Para ele, isso era saber viver a vida.

Autora: Bia Machado

 
Contásticos © Copyright 2012 - Template Made by Milly Pellegrini