25 dezembro 2011

Feliz Natal!!

É caro leitor, o tão esperado dia chegou. É Natal... às vezes ficamos deslumbrados com a mesa farta e com os presentes e esquecemos de que nesse dia nasceu Jesus que é o presente mais importante. Lembre-se DELE, nem que for um simples pensamento ou uma pequenina oração, apenas não se esqueça de dizer parabéns a um aniversariante de tamanho prestígio que é o filho de Deus. 


Desejo a ti e a sua família, caro leitor, muito amor, carinho, alegria, que Jesus passe na sua casa, dando a ti tudo o que necessitares e por que não, muitos presentes e uma mesa farta!


PARABÉNS Jesus por seu dia, por esse dia especial. Abençoe a todos que por aqui passarem, dando a cada um o que precisar, seja carinho, amor, um abraço de conforto, esperança, um ombro amigo, força, coragem e tudo o que for de merecimento.


OBRIGADA por sempre me proteger, me ajudar, me ouvir, me confortar, estar ao meu lado, não me deixar fraquejar, por me dar forças, coragem para seguir em frente e segurar minhas lágrimas e mostrar que sempre após a tempestade vem o sol com uma nova esperança.


Aqui me despeço, Feliz Natal, caro leitor e até a próxima postagem! o/

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15 dezembro 2011

Amor Imortal

mulher dormindoEu observo você todas as noites.
Vejo quando você chega em casa e procura a chave na bolsa para entrar em seu prédio. Depois, você abre a porta do apartamento, põe o casaco sobre o encosto da cadeira e as compras no balcão da cozinha. Vejo você indo ao banheiro e, pelo reflexo do espelho, tomando uma ducha. Acompanho-a caminhando seminua até seu quarto, pondo sua camisola e assistindo TV na sala. Então, você apaga a luz do quarto e deita-se para dormir.
O que é o fim do dia para você, para mim é apenas o começo.
Como uma névoa, entro por uma fresta na janela e logo estou ao seu lado, na cama, vendo-a adormecida, respiração profunda, pele branca e veias saltando no pescoço.
Aproximo meus caninos da sua garganta, mas não me movo, apenas sinto o seu calor. Não sou daqueles que busca satisfação imediata, tenho paciência, saberei aguardar seu tempo.
Para sobrevivência, busco as prostitutas do porto, dispostas a dar litros e litros de sangue, se fossem necessários, por meros vinte reais. Mas com você é diferente, é mais do isto.
Você deveria me conhecer, já nos vimos várias vezes antes em seus vernissages, foi numa das suas exposições de pintura que me apaixonei por você, tão bela dando entrevista aos repórteres, tão emotiva nas cores que lançou nas telas. Em duzentos anos, eu nunca havia me sentido assim e, desde que a vi pela primeira vez, venho todas as noites até seu quarto, velando seu sono.
Vou lhe contar tudo que ocorrerá nas próximas semanas.
Amanhã, vamos nos esbarrar numa discoteca e você olhará para mim.
— Desculpe-me, mademoiselle — eu lhe direi e você ficará fascinada por meu sotaque francês.
— Já não nos conhecemos? — você me perguntará.
— Eu me lembraria de uma mulher tão linda como você — eu direi, e por mais que seja uma cantada barata, você não se importará.
Conversaremos a noite inteira e você esperará que eu lhe dê um beijo ao nos despedirmos, mas não, beijarei a sua mão e prometerei que nos encontraremos novamente.
Então, na noite seguinte, eu passarei diante da sua porta no mesmo instante em que você chegar do trabalho. Você me verá e se assustará:
— Que coincidência!
— Você mora aqui? — perguntarei.
— Sim, e você?
— Do outro lado da rua. É o destino — direi.
Você me convidará para entrar e beberemos um vinho juntos, mas penso no seu sangue, em meus dentes cravados nas veias de seu pescoço.
Você tomará a iniciativa e me beijará.
— Tem frio? Sua pele está tão gelada.
Mas eu a calarei com outros beijos e logo estaremos nus em seu quarto.
Não posso lhe dar o prazer que você busca. Ser imortal tem as suas desvantagens e você achará que a culpa é sua.
— Não o excito? — você me perguntará.
— Nada disto. O problema é comigo — eu responderei — Mas posso lhe dar um prazer que você nunca sentiu antes — prometerei — Basta que você feche os olhos.
Vampiro83Você obedecerá, arfando, contorcendo-se de excitação, ansiosa para descobrir o que se sucederá. Eu me aproximarei lentamente de seu pescoço delicado, vou lambê-lo e, enfim, rasgar sua pele com meus dentes, beber o seu sangue e você gemerá, tremendo, agarrando os meus cabelos, num misto de gozo e pavor.
Partirei e durante vários dias não a verei. Você terá medo, ficará aterrorizada que eu retorne, mas numa noite solitária, diante da certeza que me ama e que eu a observo, você sussurrará desde sua cama.
— Sinto sua falta...
E eu entrarei em seu quarto e nos amaremos do meu modo particular.
Aos poucos, sua vida mudará. Você deixará de trabalhar, acordará com o pôr do sol e dormirá quando ele nascer, assim como eu.
Sua família e seus amigos ficarão preocupados, tentarão nos afastar. Então serei obrigado a matá-los um por um, começando por seu pai, aquele desgraçado!
E você será toda minha, o tempo todo, a minha escrava!
Como não quero vê-la morrer, deixando-me sozinho, numa noite proporei que você se torne como eu e você aceitará.
Você será amaldiçoada, assim como eu. Jamais verá a luz do sol novamente. Verá o mundo se transformar e todas as pessoas que conhece morrerão, mas você continuará jovem.
Seremos duas criaturas da noite, vagando por este mundo por todo o sempre.
Até que, daqui centenas de anos, você me odiará. E eu me arrependerei de tê-la conhecido.

Autor: Henry Alfred Bugalho

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14 dezembro 2011

Metade cheio ou metade vazio?

dani-copo

Mateus Terminus, já acostumado a receber os mais estranhos casos, surpreendeu-se ao receber um convite inusitado de seu colega desafiando-o a resolver um antigo enigma que gerava discussões muitas vezes desnecessárias. O ponto de encontro era o conhecido bar Órion (local que de “bar” só tinha o nome); um restaurante freqüentado somente por convidados importantes ou que possuíam cargos elevados no Complexo de Estudos Astronômicos da Terra Unida.
Terminus, com seu típico jeito de ser, detestava aqueles “engravatados”, mas não perdia a chance de resolver um caso independente de que espécie fosse. Afinal, sempre acabava envolvido de qualquer forma em conspirações absurdas. Esta era uma delas.
- Muito bem. Estou aqui. Qual é o caso?
- Este.
Um de seus conhecidos encheu um copo pela metade com o mais fino vinho oferecido pela casa. Após sentir o aroma característico da mais pura uva, largou o copo e perguntou.
- Eu e meus amigos aqui estamos com uma terrível dúvida.
Terminus suspirou e disse.
- Eu também estou começando a esboçar uma terrível dúvida. O que estou fazendo aqui mesmo?
- Deixe de ser rabugento. Nossos clientes estão muito interessados em descobrir se este copo está metade cheio ou metade vazio. Qual a sua opinião?
- Eu vou embora...
- Não pode. Estes são SEUS clientes. Eles exigem uma resposta.
- Eu mereço... Muito bem. O líquido está exatamente na metade do copo. Mas isto porque ele está de pé. Se eu colocar esta tampa e deitá-lo, o líquido cobrirá as duas metades, mas um novo espaço superior surgirá. Duas novas metades? Talvez. Se eu virar ele de cabeça para baixo, a metade vazia passará a ficar cheia e a parte cheia, vazia. Duas novas variáveis na mesma metade? Provável. Se eu pegar este copo e girar com força, um pequeno redemoinho surgirá no centro forçando o líquido a se deslocar para as extremidades. Um espaço vazio dentro de um espaço cheio? Se eu sacudir este copo, os espaços vazios mudarão de lugar o tempo todo. Se considerarmos que não há realmente um vazio, pois ali estaria o vácuo, o copo inteiro estaria cheio e apenas uma parte deles estaria preenchido com moléculas mais maleáveis. Resumindo: quatorze variáveis em um copo que pode estar nos dois estados ao mesmo tempo. Um paradoxo improvável existente na inexistência do infinito interno do finito, onde a metade de um é igual a dois, contrariando a expansão original e ao mesmo tempo crescendo exponencialmente para o círculo interior, tornando o espaço vazio cheio e o espaço cheio um ponto vazio no infinito. Com isso em mente chegamos a apenas uma conclusão.
Os clientes finalmente acordaram do “princípio de coma induzido” que os afetou momentaneamente e olharam para seu amigo, esperando alguma reação.
- Mas, então, que conclusão é esta? Afinal, qual o correto: metade cheio ou metade vazio?
- A resposta mais correta, levando em conta todos os fatores mencionados é apenas uma.
Mateus Terminus pegou seu casaco, segurou o copo e tomou o vinho em um gole só. Antes de sair pela porta, disse:
- Depende do tamanho do copo.
A porta fechou. Os clientes se entreolharam enquanto seu amigo ria consigo mesmo e terminava sua bebida.
- Eu não disse? Ele é perfeito para o que vocês precisam.
- Tem razão. Obrigado, senhor Carlos. Iremos entrar em contato com o Secretário de Defesa Espacial da Terra Unida agora mesmo...

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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Pilhas Alcalinas e Universos Paralelos

General b2wincEu não pertencia àquele lugar. Por mais que tentasse me adaptar às condições atuais, meu organismo insistia em me lembrar do que havia ocorrido alguns dias atrás. O teste fora bem sucedido e finalmente era possível quebrar a barreira que separava as cordas dimensionais. Possuíamos uma máquina portátil que produzia um emaranhado diferenciado na espuma quântica – semelhante ao que ocorria quando era despejado um copo de água sobre espumas de sabão: de um lado permanecia o líquido, do outro, a espuma.
Não vou perder tempo descrevendo os pormenores da máquina, mas posso dizer que através dela podíamos alcançar um universo paralelo e permanecer lá por alguns poucos segundos. O mais intrigante era que o aparelho funcionava apenas com certa quantidade de material alcalino. Seria engraçado se não fosse trágico.
Em uma de nossas primeiras viagens experimentais fui instruído a segurar o aparelho com as duas mãos e deixá-lo encostado no peito. Aconteceu de uma forma tão súbita que pareceu ser apenas uma alucinação seguida de uma leve tontura. As imagens ao meu redor ficaram borradas e no lugar de um complexo científico surgiu um belo parque com alguns jardins suspensos.
Incrível! Mesmo sabendo que aquela visão duraria pouco tempo.


Mas o parque não desapareceu. Olhei para a máquina. O visor holográfico piscava em vermelho. Transportar matéria do tamanho de um corpo humano entre universos deveria ter ocasionado uma sobrecarga inesperada. Mas, tudo bem, bastava sair por aí e arranjar mais algumas pilhas alcalinas.
O céu estava bem colorido naquele dia e me fez esquecer por um momento onde estava. Para quem já havia visto um céu cinza e poluído, aquele era um deleite para meus sentidos. Fui avançando pela área central até chegar a uma bifurcação de formato estranhamente familiar. Olhei para todos os lados procurando entender o que significava e acabei me surpreendendo. As bifurcações formavam perfeitamente o desenho de uma borboleta.borboleta010
Dali pude avistar uma loja com formato engraçado. Parecia torta e era curvada para dentro, contendo vários círculos concêntricos e tão coloridos quanto o céu. Não tive receio de um primeiro contato. Afinal, era o mesmo lugar, só que em outro universo. Aproximei-me de uma forma nada cautelosa, sorri e perguntei se vendiam pilhas alcalinas. A resposta a esta pergunta me levou à situação descrita no início deste relato.


Aquele era um universo que não possuía pilhas alcalinas!
Em compensação, aprendi que naquele universo a ciência não havia sido desenvolvida assim como fora no nosso. Era um mundo dedicado às artes e literatura. Por isso havia tantos desenhos curiosos, exageros de cores, arquiteturas surreais e um povo extremamente culto. Era estranho que um povo dedicado aos estudos não tivesse colocado nada em prática. Não existia uma única invenção cientifica. Será que não existiam livros sobre isso? Ou teria acontecido algo que acabou por interromper seus estudos no ramo? Era o que pretendia descobrir.
Pilhas alcalinas. Nunca achei que um dia minha vida dependesse delas. Isto me lembrava a Teoria do Caos que estava intimamente ligada à Teoria das Cordas. E havia um pouco da Lei de Muphy aí.

(...)


Enfim... Acabei me acostumando ao “modus operandi” deste universo, o que me levou a registrar este relato em papel e a torcer para que um dia alguém lesse e entendesse o que estava escrito.
Como isso não ocorreu, continuei minha busca por respostas.
Encontrei alguns fatos interessantes, como um projeto abandonado de transmissão de pensamentos via ondas de rádio e outro relacionado com viagens à velocidade da luz. Este último tinha um conceito muito intrigante que era ilustrado por uma viagem de trem. Se um trem estivesse viajando à velocidade da luz e um passageiro se deslocasse do último vagão para o primeiro, estaria se movendo mais rápido que ela?
Nikola Tesla photo 2Acabei por descobrir que um senhor recluso, chamado Nikola Tesla, fez uma das maiores descobertas há alguns anos atrás neste universo. Seu invento era tão poderoso que abriu um buraco no contínuo espaço-tempo. O resultado? A ciência foi proibida e a máquina esquecida em um lugar obscuro – o que levou ao desenvolvimento súbito da literatura teórica. Com o tempo, a ciência foi substituída pela arte. Mas não era a arte uma forma de ciência?
Entendi que só foi possível atravessar para este lado devido ao experimento já citado, que tornou a parede entre nossas dimensões mais fina. Imagine a surpresa quando descobri que a máquina nada mais era do que uma pilha gigante! Talvez nossa máquina só funcionasse porque era atraída pelo magnetismo deste lado.
Tudo bem. Mas como iria voltar? Precisava achar esta máquina. Mas por onde começar? Poderia estar em qualquer lugar... Um lugar em que ciência tivesse se transformado em arte...
Lembrei imediatamente da praça central, o primeiro lugar que conheci ao chegar aqui. As asas da borboleta poderiam muito bem ser os ponteiros de um relógio gigante apontando para todas as direções. Todas elas convergiam para um único ponto no meio da praça. Estranho, havia saído de lá...
Voltei ao ponto inicial, onde tudo havia começado. Desta vez coloquei o aparelho no chão, bem no centro da borboleta. Um som estranho, seguido de luzes que iluminaram suas asas, pôde ser observado. As imagens ao meu redor ficaram borradas e no lugar de um belo parque surgiu um complexo científico.
Havia retornado!


Os cientistas ao redor ficaram boquiabertos, enquanto desligavam temporariamente o gigantesco colisor de hádrons. Todos olhavam a pequena máquina que carregava em mãos. Um deles se aproximou cautelosamente e perguntou:
- Como funciona?
- Com pilhas alcalinas, oras!
- Pilhas... Alcalinas??
As risadas ecoaram pelo complexo. Comecei a ficar desorientado. Lembrei-me de ter visto aquele complexo apenas uma vez, mas por poucos segundos. Quando minha imagem desapareceu por completo bem na frente deles, o silêncio tomou conta de tudo. De certa forma compreendi como conhecia tão bem o outro universo. Eu tinha vindo de lá.
As equipes se entreolharam por um breve momento. Levou alguns minutos, que pareceram eternos, para que apenas uma pessoa quebrasse o silêncio total quando indagou novamente:
- Pilhas alcalinas?
(...)
Sim. Esta experiência serviu de base para minha tese intitulada “Pilhas Alcalinas e Universos Paralelos”. Pena que fui o único a colocá-la em prática. Mas algo ainda me intriga. O que seria um “colisor de hádrons?”

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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A mais curta história de Ficção Científica VI

jedwardSinto como se isso já tivesse acontecido antes. Nunca agi assim, mas emoções estavam à flor da pele. Ele também havia pedido. Como se atreveu a invadir minha casa e descrever toda minha vida e jogar meus próprios erros em minha cara, para em seguida me revelar o que eu faria em alguns anos? Como ousou subverter as leis imutáveis do universo e criar uma anomalia paradoxal apenas para ser ousado o bastante de aparecer aqui em minha frente e revelar meu próprio futuro?
Mas agora, segurando a arma ainda quente em mãos, vejo aquele corpo caído em minha sala. Procuro a identidade do invasor e a encontro. As coisas que estavam em minhas mãos caem ao chão, enquanto vejo aquele corpo evaporar-se bem diante de meus olhos. Sinto como se isso já tivesse acontecido antes. E agora, o que irá suceder? Se ele não tivesse sido tão ousado e apontado todos os meus erros... Mas agora entendo o motivo. Afinal, pela identidade percebi que era alguém bem conhecido.
Aquele era eu...

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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A mais curta história de Ficção Científica V

estrela-do-marApós tantos anos de espera, finalmente a humanidade seria agraciada com o tão sonhado encontro marcado com uma civilização extraterrestre avançada, vinda diretamente de uma galáxia distante. O mundo inteiro foi informado de que o famoso disco dourado enviado há anos por uma sonda terrestre finalmente havia sido encontrado.
Os governos se prepararam para a chegada dos visitantes e declararam aquele dia como especial, posteriormente sendo transformado em um feriado mundial. Naquele dia literalmente a Terra parou. Um estrondo alto semelhante ao som de trovões foi ouvido e em meio a relâmpagos, a gigantesca nave em forma de estrela do mar surgiu. De um facho de luz direcionado ao palco, montado ao redor da multidão histérica, um ser de aparência esguia com pequenos olhos a frente de uma cabeça alongada, desceu. Seu corpo cinza refletia o brilho dos refletores.
Ele fez menção de que ia falar e toda multidão foi silenciada. Todos queriam ouvir as palavras “inspiradoras” que sairiam da boca do representante de uma nova raça. Aquele momento entraria para a história. Todos estavam muitíssimos entusiasmados. Ele segurou o microfone e disse:
“ – Muito bem. Quero saber quem de vocês enviou esta porcaria feita de ouro e quem irá pagar os prejuízos. Este treco colidiu em alta velocidade com minha nave, a qual foi despressurizada. Fui obrigado a fazer um pouso de emergência em um planeta cheio de plantas carnívoras gigantes! Perdi dois braços, mas sobrevivi. Por sorte a nave de fuga ainda funcionava. Quando cheguei ao cinturão de nossa fortaleza percebi que o disco estava preso ao casco da nave. Ele refletiu todos os nossos sistemas de laser e escudo e os direcionou para as cidades. Foi um show de luzes (e destruição)! Fui expulso do planeta e me encarregaram de achar o culpado. Ah! E também quero saber quem foi o espertinho que me vendeu um playstation 2 com um chip clonado da última vez que estive aqui... E vamos logo com isso, porque tenho outros planetas para dizimar...”
Com certeza, foi inesquecível. E esta é a última coisa que me lembro.

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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O gato que sabia atravessar paredes

Tabitha,-Maine-Coon

Orion era um gato muito inteligente, não somente por ter o nome de uma constelação, mas também por possuir uma habilidade fora do comum que surpreendia seu dono cada vez que era utilizada. Era difícil não notar sua presença. Sua tonalidade laranja com rajados amarelados chamava a atenção de qualquer um que apreciasse um felino da raça “Maine Coon”.
Sua habilidade especial fora descoberta por acaso em certa noite de verão. Não gostavam que ele saísse de casa após as nove horas, pois ele tinha a mania irritante de sumir e deixar seu dono preocupado. Aliás, ele permitia que cuidassem dele e o considerassem como propriedade. Mas, na verdade, ele é que havia adotado aquela família. Em sua mente ele era o verdadeiro dono daquelas pessoas e da casa em que morava.
Naquele dia todas as janelas e portas estavam fechadas. Estava tudo muito tranqüilo. Os únicos sons que podiam ser ouvidos provinham do ventilador da sala e do computador no quarto. Aquele som de "pás" girando era bem irritante aos seus ouvidos. Queria sair dali e passear, mas como faria isso se haviam trancado todas as portas e janelas?
Foi então que aconteceu. Ninguém percebeu quando, mas após um tempo sentiram falta da mascote. Onde aquele gato travesso havia se metido? No guarda-roupa? Não. No balcão de sapatos? Não. Embaixo da cama? Não. Escondido em algum canto se preparando para "dar o bote?" Também não.
Ao olhar pela janela avistou o gato deitado no pátio, um pouco desorientado, como se estivesse perdido. O que durou apenas alguns segundos. Logo se levantou, esticou as patas e partiu para mais um passeio noturno. Como aquele gato havia saído? Verificaram calmamente cada porta e janela. Tudo trancado. Era certo que aquele gato era mais esperto do que imaginavam - havia descoberto uma maneira de sair de casa sem utilizar os meios convencionais.


Como isso ocorreu mais vezes, sua habilidade acabou se aperfeiçoando. Após algumas noites instalaram uma câmera de vídeo para gravar suas peripécias. Precisavam descobrir como ele conseguia fazer aquilo. Agora bastava apenas aguardar e verificar o arquivo mais tarde.
Verificaram calmamente a gravação. Havia um ponto em que parecia ocorrer um salto na imagem e instantes depois, o gato aparecia lá fora. Poderia ser algum defeito no chip ou alguma queda de luz momentânea. Mas não era. Aquilo ocorreu mais vezes e seu dono chegou a uma conclusão absurda de que seu gato sabia atravessar paredes. Mas isto era impossível, além de muito improvável. Não deixaria este "caso" sem respostas. A partir dali vigiaria seu mascote vinte e quatro horas por dia.
Mas não foi preciso tanto. No outro dia, quando tudo estava fechado novamente, Orion não pôde se desvencilhar de um abraço carinhoso e demorado de sua parte. Após um tempo começou a ficar irritado e a olhar fixamente o pátio lá fora. Aí aconteceu.
Primeiro uma sensação de estática tomou conta de seu dono. Depois seu peso diminuiu. Por fim, um estranho calafrio percorreu seu corpo. Em seguida, desapareceu... Lá fora estava um gato de olhos bem abertos olhando-o fixamente através do vidro da janela fechada. Não havia mais nada em seus braços. Aquilo era possível? Como havia feito isso? Mesmo assim, isto já explicava muita coisa.
Procurou saber de onde havia saído aquele gato especial. Lembrava apenas de tê-lo adotado ao passar por uma veterinária. Engraçado que ele poderia ter saído de lá "com seu poder" se realmente quisesse. Mas não o fez. Será que procurava um lar? Bem que desconfiava que houvesse algo de diferente naquele gato que de uma hora para outra estava fora da pequena jaula em que se encontrava preso e aparentava deixar sua veterinária enlouquecida. Mas era certo que não havia sido criado por eles. Quem será que havia deixado um gato tão especial em uma simples veterinária?
Acabou descobrindo que este gato havia fugido de um centro tecnológico de ciências avançadas. Mas não pertencia a ninguém. Apenas costumava andar por lá. Em todo caso resolveu cuidar melhor de sua propriedade especial. Voltou para casa e começou a estudá-lo. Inevitavelmente criou pequenas armadilhas que divertiam o gato, enquanto ele filmava sua habilidade extraordinária. Caixas fechadas não eram páreas para ele. Sempre dava um jeito de sair. O interessante é que tudo ocorria em um piscar de olhos. Nada de luzes e "efeitos especiais", apenas uma leve distorção magnética no pequeno raio de ação de seu teletransporte.


Aquilo deixou de ser divertido para se tornar intrigante. Era fato que aquela mascote era alvo de alguma experiência bem sucedida. Talvez ainda estivessem procurando por ele. Mesmo tendo plena consciência disso, não gostava de pensar em desfazer-se dele. Já era praticamente um membro da família.
O que não iria durar por muito tempo...
Em algumas semanas a veterinária já estava cercada por agentes federais e do campus. Como ele iria esconder seu amigo? Era correto fazer isso? Aliás, será que ele ficaria quieto e escondido "dentro" de alguma coisa? Começou a procurá-lo. Devia estar lá fora como sempre fazia. Mas não estava. Avistou um dos agentes que se dirigia para sua casa. Entrou novamente e revirou tudo. Nada. Havia sumido.
Prestou informações relevantes ao agente, mas ressaltou que não sabia onde ele estava. Quando indagado sobre o motivo, o agente disfarçou e agradeceu a colaboração. Era algo muito fantástico para ser exposto assim, de forma tão banal. Desceu as escadas e foi embora. Aonde aquele gato maluco havia se escondido?
(...)
image001Passou-se um mês desde os últimos acontecimentos e tudo voltara ao normal. O gato permanecia desaparecido (ou havia finalmente voltado para sua casa original), mas não saia da memória de seus donos. O que teria acontecido?
Sentindo a falta de uma mascote por perto, logo adotaram outro gato extremamente semelhante ao gato anterior. Relataram isso a veterinária, que não se lembrava de já ter doado um gato para aquela família – fato estranho.
(...)
O “novo” Orion se adaptou rapidamente a sua nova família. Era brincalhão, esperto e muito curioso. Cresceu... E também seu desejo por aventuras. Certo dia foi achado dentro do centro tecnológico de ciências avançadas por uma veterinária – que o abrigou temporariamente em sua casa. Ele literalmente a enlouquecia (o que a levou a deixá-lo disponível para adoção). Foi assim que sua família o reencontrou.
Aquela cena lhes era familiar. “Dejavú” pensou. Seria o gato um “gatilho” para este estranho fenômeno inexplicável? Ao chegar em casa, uma surpresa o aguardava. Deu de cara com o gato desaparecido. Este, por sua vez, soltou um miado de agradecimento e desapareceu bem em sua frente, tornando-se invisível aos poucos. O gato em seu colo olhou-o atentamente por alguns segundos.
Exclamou em seguida:
- Querida! Estávamos enganados!
- Sobre o quê?
- Não temos um gato que sabe atravessar paredes... E sim, um gato que sabe viajar no tempo!
Como se aquilo fizesse mais sentido do que tudo que já havia ocorrido...

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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A mais curta história de Ficção Científica IV

BRASIL-CAMPEAO-DO-MUNDO

A estação espacial brasileira Amazon fora construída para estudar um fenômeno que atingiria a Terra e que, segundo os cálculos dos cientistas, deixaria o planeta sem energia elétrica por proximadamente um ano.
Era o ano de 2090 e por coincidência nesta época havia Copa. As salas da estação estavam vazias, enquanto o complexo de mapas e projeções tridimensionais se transformaram em uma arquibancada com uma televisão improvisada. Era muito mais interessante assistir a Copa em projeções holográficas.
Neste instante, o pulso eletro-magnético emitido por uma estrela destruída se aproximava da Terra. A estação havia sido construída somente para isso e continha um armamento específico que destruiria a onda.
O alarme soou... Ninguém ouviu. O telefone tocou... Ninguém atendeu. Gritos histéricos quase abafaram a voz do comandante na sala de projeção.
- O que estão fazendo? O fenômeno vai atingir o planeta em cinco minutos!
- Chefe! O Brasil é giga!
- É? Meu Deus! Ganhamos a Copa! É giga!
A linha ficou muda. Foi só quando uma onda energética deixou tudo às escuras, que um deles falou:
- Acho que esquecemos de alguma coisa...
- Quem se importa? O Brasil é giga!
- É verdade! É giga!
E continuaram pulando feito loucos no meio da escuridão. Enquanto isso, o planeta inteiro permanecia sem energia, o que duraria um ano. O que foi feito para reverter a situação? Não lembro. Só sei que o Brasil jogou bem...

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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A mais curta história de Ficção Científica III

Chapeuzinho-vermelho-11Era uma noite tranqüila no dormitório espacial ISS-VII. A palavra “tranqüila”, nos últimos anos do século 22, significava uma noite sem tempestades cósmicas ou elétricas. O radar interno indicava apenas o pulsar constante das estrelas próximas. Era uma ocasião perfeita para contar uma história para os filhos antes de dormir.
-... Chapeuzinho levava seus doces para vovó, quando...
- Pai, Espera! Já conheço essa história, mas ela é sem noção, veja bem... O lobo usou um atalho para chegar até a casa antes. Mas como isso é possível, se uma clareira ou estrada na floresta é o caminho mais curto? E ela? Veio de onde? Apenas menciona que ela já apareceu com os doces no caminho. Foi tele-transporte? E se Chapeuzinho estivesse com suas conexões neurais em dia, teria percebido logo que era o lobo. E, olha só, um lenhador chega na hora certa para salvá-la. Acho que tudo isso já estava combinado previamente. Talvez a vovó tivesse deixado um testamento com seus bens, (incluindo a floresta) e planejaram ficar com a riqueza usando o lobo como “lobo expiatório”. Talvez ele também estivesse no plano. Jogariam a culpa nele, Chapeuzinho ficaria rica e dividiria um pouco com o lenhador, seu cúmplice, pagando a fiança do lobo posteriormente e lhe dando uma recompensa em dinheiro pelos serviços prestados. Chapeuzinho viveria feliz para sempre... E rica...
- Zzzzz...
- Pai? Ah... Dormiu... Esses adultos de hoje em dia...

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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A mais curta história de Ficção Científica II

naves tdsobreosmutantesNa época da colonização da Lua, muitas naves de pequeno porte levavam e traziam produtos, minerais e materiais orgânicos. Mas como as viagens se tornaram constantes, foi-se necessário cortar gastos.
- Preciso que você avalie o que podemos retirar das naves de cargas em sua construção, para reduzirmos custos. Estou perdendo muito dinheiro neste negócio. – chefe.
- Mas, chefe! Não dá... – engenheiro.
- Não quero saber! Se você não pode fazer, vou deixar esse serviço para Nestor, nosso mecânico. – chefe.
- Mas ele não entende nada de engenharia! – engenheiro.
- Não interessa... – chefe.
Uma semana depois, o chefe da empresa foi convidado a visitar a nova colônia. Subiu em uma de suas naves modificadas e partiu.
Mas, quando estavam se preparando para descer, com a nave inclinada em uma incrível velocidade devido à gravidade, uma luz no painel começou à piscar.
- Que luz é essa, Nestor? – chefe.
- Ué, o senhor pediu para eu retirar algo que não fizesse falta! Como vi a nave estacionada no chão, retirei o “amortecedor de queda”...
- O quê?!! – chefe.

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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A mais curta história de Ficção Científica

azt

Na estação espacial Marte 2.0, dois cientistas conversavam sobre o evento recente que havia ocorrido na estação de Vênus. Já era o ano de 2099 e muitas expedições para os planetas e construções de bases estelares haviam sido feitas. A humanidade começava a se espalhar pelo espaço ao redor, rumo à colonização espacial.
   - Você viu que uma pessoa do nosso grupo de manutenção conseguiu explodir uma das estações semana passada por pura falta de atenção? – Allen.
   - É? E o que houve? – Peter.
   - Ele acidentalmente misturou um composto químico de nome AZT-100 em seu café, em vez de adoçante. Depois de alguns minutos ele foi chamado para uma missão de manutenção e deixou o café lá dentro. Cinco minutos depois, a estação explodiu. – Allen.
   - É cada pessoa, né. Que falta de atenção. Por isso sempre tomo cuidado com as coisas. Não sei como podem manter pessoas assim nesse tipo de serviço. – Peter.
   - Pois é. Me passa o adoçante aí. – Allen.
   Peter passou a mão em um recipiente de plástico sem olhar seu rótulo e primeiro adoçou seu café. Depois passou para seu amigo. Ao largar o recipiente na mesa, a câmera de segurança, que ficava na estação externa, filmou a sala de manutenção e mostrou o rótulo do recipiente para o guarda estelar.
   Estava escrito AZT-100...

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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Copa do Mundo

Copa-do-Mundo-A-Bola-Comeca-a-RolarNum futuro distante, o planeta passou por transformações irreversíveis que o tornaram quase inóspito para abrigar vida. O efeito estufa em seu estado completo permitia que a luz do sol atravessasse a atmosfera somente por algumas horas em alguns meses.
Os cientistas e estudiosos criaram gigantescos painéis solares, que ao recolher a energia preciosa, alimentavam os reatores das cidades construídas com tecnologia ecológica. Mas tudo isso não estava sendo suficiente. Era preciso encontrar outra solução.
Um dos estudiosos, que era conhecido por suas idéias malucas, propôs algo que ele havia encontrado nos registros da humanidade antiga, no distante século XXI.
- Sei como resolver nosso problema.
- Lá vem você com suas teorias absurdas. O que nosso planeta precisa é de um descanso e nada mais.
- Pois então.
- Então, o quê?
- Futebol.
- Olha, é melhor você ter vindo a mim com argumentos fortes e altamente embasados, ou juro que dessa vez faço com que a Academia lhe transfira para a colônia de Marte.
- Encontrei o registro de um esporte antigo, praticado com o corpo e os pés. Mas essa não é a parte mais interessante. Acompanhe o ‘holofilme’.
Os dois fizeram menção de sentar e dois assentos de gel solidificado materializaram-se embaixo deles. A tela foi projetada tridimensionalmente em toda a sala e começaram a assistir.
“As ruas estavam vazias, não havia pessoas nem veículos. Era possível ouvir os pássaros cantando e o vento chacoalhando as árvores. O silêncio que se estendia por quase todos os lados era reconfortante. As lojas estavam fechadas, os estabelecimentos e outros serviços públicos também, incluindo as fábricas e indústrias. Os conflitos cessaram por um instante e a sensação era de que o planeta inteiro havia parado. Sem poluição de veículos, sem poluição industrial, sem poluição sonora nas ruas e uma paz mundial momentânea. O mundo parou e pôde descansar. Por pelo menos duas horas...”
O holograma desapareceu em um “flash” aos olhos surpreendidos do cientista.
- O que houve? Uma hecatombe? Uma contaminação? Evacuação?
- Futebol.
- Você quer dizer que o planeta foi deixado em paz e teve seu merecido descanso (mesmo que por pouco tempo), por causa de um evento esportivo?
- Sim. Eles chamavam de “Cópia do Mundo”, “Copo do Mundo”, não lembro.
- É disso que precisamos! E todos os anos, se possível. Desta vez você foi brilhante! Com essa “Cópia do Mundo” deixaremos de produzir poluentes por pelo menos duas horas e o planeta obterá seu merecido descanso. Faz quantos anos que não apreciamos a natureza sem interferência humana?
(...)
Pois é... Copa do Mundo também é ecologia...

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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13 dezembro 2011

O gato de Schrödinger

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Pela primeira vez acompanhava atentamente a trajetória dos ponteiros do relógio da praça central. Faltavam apenas cinco segundos para o meio-dia e para o ressoar característico das cinco badaladas do sino dourado que havia sido restaurado recentemente. O sino tocou.


Foi aí que tudo teve início.


Permaneci sentado no banco da praça enquanto os eventos se desenrolavam. Começou em uma pequena escala. A calçada em minha frente apresentou uma rachadura, provavelmente pela ação do solo (afinal, desde que o homem começou a pavimentar as ruas, este foi deixando de respirar e entregue à própria sorte). Em seguida as raízes da árvore centenária do outro lado da rua se moveram. Não era apenas movimento. Estavam crescendo. A raiz maior encontrou uma “saída” e se dirigiu às vias de trânsito. Ignorei o jornal e levantei.
Uma raiz brotou embaixo de um automóvel desequilibrando seu eixo dianteiro e fazendo o motorista perder a direção. A batida foi leve, mas como o trânsito permanecia intenso, não houve espaço para um tempo de resposta dos outros motoristas. Após alguns acidentes inevitáveis, a rua permaneceu congestionada e o “engavetamento” ocorreu.


Havia uma linha férrea e um metrô próximo à praça – os quais foram alertados imediatamente após estes acontecimentos. Mas com a atual velocidade em que o trem se encontrava, era impossível pará-lo a tempo. Os freios de emergência foram acionados. O maquinista fez isto o mais rápido possível. Mas não o suficiente.


Devido à pressão, o vagão central saiu dos trilhos. Sem direção acabou “rasgando” bruscamente a parede de um prédio em construção. A estrutura inteira ficou comprometida. O guindaste de concretos oscilou. Os últimos vagões assentaram e finalmente pararam de se mover. A inércia havia cessado, mas não seus efeitos colaterais. Um rugido horrível ecoou pela praça.
A zona de equilíbrio foi quebrada e o guindaste iniciou sua queda em direção à catedral. Uma chuva de vidros estilhaçados produziu um efeito caleidoscópio que paralisou por alguns segundos todas as pessoas ao redor. O show do arco-íris artificial cessou e todos começaram a prestar atenção ao gigantesco sino que agora despencava da torre destruída em direção à avenida central.
Inúmeras árvores foram derrubadas devido ao seu peso. Percebi que estava no caminho de sua fúria descontrolada. Aproximava-se rápido. Não sei bem o motivo, mas minha mente iniciou uma recapitulação dos fatos ocorridos: rachaduras no chão aparecendo do nada, raízes crescendo a uma velocidade absurda, acidente de carro desencadeando um congestionamento, este congestionamento atingindo a via férrea, trens descarrilando e atingindo um prédio em construção, guindaste deste prédio atingindo a catedral, queda do sino que se dirigia ao centro dos eventos.
gato_preto_com_manchas_brancas-1280x960Em meio ao “caos organizado” ao redor de um raio central desconhecido, percebi que estava envolvido em uma experiência – se bem que o mais correto era chamar de “fenômeno”. O gigantesco sino se aproximava de seu alvo principal: Eu. Aquelas badaladas nunca mais sairiam dos recônditos obscuros de minha consciência. Não conseguia me mexer. Num último relance compreensível, antes que a adrenalina tomasse conta de mim, pensei ter visto o vulto de um pequeno gato preto com manchas brancas.


Foi aí que tudo terminou.


(...)


Pela primeira vez acompanhava atentamente a trajetória dos ponteiros do relógio da praça central. Faltavam apenas cinco segundos para o meio-dia e para o ressoar característico das cinco badaladas do sino dourado que havia sido restaurado recentemente.
De alguma forma, aquela cena parecia familiar. Quando fui pegar o jornal para ir embora, notei que um pequeno felino adorável, de cor preta e algumas manchas brancas, dormia calmamente em cima dele. Resolvi deixá-lo com sua cama improvisada. Pensei em voz alta: “Se ele ainda estivesse ali quando eu voltasse, quem sabe poderia adotá-lo? Mas qual era a chance de encontrá-lo novamente? Uns cinqüenta por cento?
A orelha do gato levantou.
Faltavam apenas cinco segundos para o meio-dia. O sino tocou. Todos os cidadãos daquela cidade perderam cinco segundos de suas vidas para sempre. Ou não. Será que um dia perceberiam? Mas qual seria a chance disto ocorrer? Sem um observador externo, seria impossível. Voltou a dormir profundamente, sabendo que logo em seguida encontraria um lar.

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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