25 dezembro 2012

Feliz Natal



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26 setembro 2012

Liberdade

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- E aí? Quanto falta para chegarmos? - Rafael resmungou no banco traseiro.
- Ah para de ser chato. Aproveita a viagem. - Thiago retrucou.
- Não falta muito, segundo o GPS. - falei aborrecida. Queria chegar na fazenda tanto quanto eles.
- Lilian, acho que estamos perdidos. -  Marina estava preocupada.
- Não, não estamos. - falei em um tom mais ríspido dando por encerrada aquela conversa. Aumentei o volume do rádio que tocava “Highway to hell” e ninguém falou mais nada. Pedro nem se manifestou.
 
Brian Johnson a plenos pulmões: "HIGHWAY TO HELL", como se pudesse prever nosso futuro, naquele, aparente, final de semana comum. Chegamos, meia hora depois, na fazenda que pertencia à minha família. O bisavô de meu pai a comprou, mas depois de sua morte, ninguém da família foi mais, meu pai nunca mencionou nada e fui saber de sua existência por um tio que deixou escapar em uma conversa na qual, todos o reprovaram com o olhar. Não entendi a reação, mas me calei no momento e quando encontrei meu tio sozinho, perguntei tudo a respeito. Ele não entrou em muitos detalhes, mas disse que o pai dele via esse bisavô perambulando pela fazenda de noite, os irmãos acharam que ele estava louco, pois todos estavam no velório e viram lá o corpo imóvel - detalhe importante. Eu não disse nada, mas achei loucura e balela, deixar de ir na fazenda por isso - fique claro que eu nunca acreditei no sobrenatural. Ele me deu o endereço depois de muita insistência.
 
Eu, finalmente estava diante daquela fazenda linda, o que firmou a minha opinião sobre a história contada por meu tio. Rafael abriu a cancela, entrei com o carro, ele fechou-a e voltou pra dentro do veiculo que guiei até a entrada da casa principal. Um sobrado que, logo após o hall de entrada tinha uma escadaria dupla com degraus vermelhos gastos pelo tempo. Na sala de estar, à direita, sofás dispostos em forma de u, tapete vermelho carcomido, uma mesinha de centro, na frente, uma lareira, janelas enormes com cortinas amareladas e o piso de madeira. A sala de jantar possuía uma mesa de madeira de lei para doze lugares, as cadeiras eram feitas do mesmo material, um lustre que devia datar do século anterior pendia acima do meio da mesa, quadros com fotos desse bisavô com sua esposa e na parede oposta da porta tinha uma flâmula vermelha - que ia do teto ao chão - com o brasão da família em dourado. As janelas eram igualmente imensas as da sala. A cozinha era repleta de armários, tinha uma pia de duas cubas em frente a uma janela, mesa redonda no meio e o piso, em algum lugar do passado, costumava ser branco. Na parede oposta ao gabinete da pia tinha uma porta que levava a um porão que deixamos para explorá-lo a noite. Subimos para os quartos - eram sete no total - todos mobiliados, suites e basicamente com uma cama de casal,  escrivaninha, um criado-mudo e guarda-roupas - um detalhe importante: tudo muito sujo e encardido. 
 
Limpamos e nos acomodamos na sala. Depois fomos explorar a propriedade que contava com um celeiro, um sobrado menor, curral e estábulo. Obviamente estavam abandonados, sujos, velhos e rangendo. Tudo estava normal com exceção do celeiro que ouvimos nitidamente como se alguém se arrastasse no andar de cima. Subimos e, aparentemente não tinha ninguém, estava muito escuro - apesar de ser dia lá fora - pois a janela estava pregada, impedindo os raios solares de entrar. Olhamos ao redor e notamos que todas estavam pregadas. Voltamos para a casa principal já eram quase seis da tarde, estava esfriando e acendemos a lareira. Colocamos algumas batatas embrulhadas no alumínio pra assar.
 
O tempo passou rápido enquanto contávamos histórias de terror e quando nos demos conta eram dez horas. Terminamos as batatas e decidimos ir ver o porão, pegamos as lanternas e fomos.
 
O porão fedia a podridão como se algum animal tivesse morrido ali. A escada rangia e conforme descíamos o cheiro ficava mais forte. Tinham algumas caixas velhas com documentos que datavam de 1890, fotos, roupas, bonecas e até uma máquina de escrever. Quando iluminamos o outro canto do porão havia alguma coisa em decomposição, chegamos mais perto e constatamos ser uma pessoa, os ratos que deviam ter se aproveitado do banquete podre estavam mortos ao redor do corpo. Entramos em desespero, ao pensar no que poderia ter acontecido com aquela pessoa e quando pensamos em voltar, a porta fechou, corremos até ela e tentamos, em vão, abri-la. Um gelo percorreu minha espinha, imaginar que tinha mais alguém na casa era perturbador ainda mais que verificamos todos os cômodos e estes estavam vazios.
 
- Lilian, o que está acontecendo? - a voz de Marina tremia.
 
- Não sei, Marina, não sei.
 
- Shhhhh. - Pedro fez um gesto para ficarmos quietas. - escutem. - sussurrou.
 
Eram passos que iam de um lado a outro na cozinha.
 
- Dois são meus, dois são teus e o que sobrar a gente disputa no tapa. - uma voz feminina falou.
 
- Está ótimo pra mim, Cristine. - a voz masculina respondeu rindo.
 
- Que negócio é esse de dois pra mim, dois pra você e o que sobrar disputa no tapa? - Rafael quis saber.
 
- Eu não quero ficar pra descobrir, vamos tentar sair pela janela. - Thiago sussurrou.
 
Empilhamos as caixas para alcançarmos a janela que era relativamente grande, por ser de porão, e estava emperrada. Imprimimos um pouco mais de força e ela cedeu, não podíamos quebrá-la se não, os dois loucos lá em cima nos ouviriam. Marina e eu saímos primeiro, depois Pedro, Rafael e na vez do Thiago, ele escorregou, as caixas caíram fazendo uma barulheira e ele ficou pendurado no beiral da janela - parecia aqueles filmes de terror que alguém sempre cai. A porta do porão foi escancarada.
 
- Eles estão fugindo, Bartolomeu! - Cristine esbravejou.
 
Rafael, Pedro e Marina puxavam Thiago até que a mulher agarrou seu pé com uma força descomunal e estava quase levando os quatro juntos.
 
- Me soltem. - gritou Thiago. - se salvem. Vão.
 
- Não! - vociferaram juntos. - A gente não vai abandonar você.
 
Eu fui buscar o carro - para nossa tentativa de fuga - e praticamente me joguei dentro dele. Para meuceleiro alívio, ele pegou assim que eu bati a chave. Fui até os fundos e quando estacionei o carro, não havia sinal de nenhum deles e alguém acertou minha cabeça, fazendo-me desmaiar.
 
Não sei quanto tempo fiquei desacordada, mas quando recobrei os sentidos estava no celeiro, pendurada numa viga e meus amigos estavam ao meu lado, dispostos em fila.
 
A louca da mulher envolveu Pedro, grudando em seu pescoço e então entendi do que se tratava: se existissem, éramos um banquete de dois vampiros. Bartolomeu atacou Marina. Cristine com a boca suja de sangue, soltou o corpo de Pedro que agora estava sem vida e se atracou em Thiago. Rafael e eu nos entreolhamos assustados, sabíamos que a morte estava perto. Ele tentou se desvencilhar das cordas, que prendiam seus pulsos, balançando o corpo, mas Cristine o deteve com a mão livre.
 
- Calma, você é o próximo depois de sua amiga. - ela falou em tom diabólico, os olhos vermelhos. - Bartolomeu irá prová-lo. - completou.
 
Ele foi em direção a Rafael, uma lágrima rolou pelo meu rosto puxando todas as outras que se seguiram.
 
- Não chore, menina. Só dói no começo da mordida, depois sua vida se esvai junto com o sangue, devagar, saboroso e quente. - Bartolomeu falou sarcástico.
 
Testemunhei a morte dos meus amigos, nada pude fazer pra ajudá-los e eu seria a próxima. Lembrei de meu tio, de minha família reprovando-o, das coisas que ele me disse, das inúmeras tentativas, em vão, de me fazer desistir de vir nesse lugar. "Ah como queria ter escutado meu tio.", pensei.
 
Bartolomeu e Cristine morderam meu pescoço, um de cada lado. Uma dor aguda me consumiu de início e depois ondas de prazer percorreram meu corpo. Senti que estava ficando fraca, minha visão ficou turva e desmaiei. Não lembro de ter sonhado e mesmo que o tivesse feito não me lembro do que sonhei. Será que a morte era isso? Essa impressão de ter sonhado e não saber o que sonhou, sem saber onde está, se está pisando no chão ou sentindo seu corpo?
 
Fui puxada de onde quer que eu estivesse. Abri os olhos, estava no chão do celeiro, vislumbrando o teto. Experimentei mexer os dedos da mão, pra minha felicidade ou não, de fato eles se mexeram. E então tudo o que tinha acontecido anteriormente veio a minha mente e senti medo, pois se os vampiros não me mataram deviam ter um motivo - a essa altura eu já tinha mudado minha opinião sobre o sobrenatural.
 
- Que bom, você acordou. - Bartolomeu sorriu pra mim.
 
- O que aconteceu comigo? - minha voz saiu tão fraca que era quase um sussurro.
 
- Beba. Precisa completar a transformação. - ele ignorara minha pergunta.
 
Eu me sentei com alguma dificuldade e ele me estendeu um copo com um conteúdo vermelho e denso. Sentia fome - o cheiro do que quer que fosse aquilo estava aumentando-a, minha cabeça doía e pensar estava sendo uma tarefa árdua. Encarei o copo por alguns instantes e olhei pro lado, seja lá o que fosse, eu não beberia.
 
- Se não beber, vai morrer.
 
- Que assim seja então. - retruquei.
 
Cristine, num gesto rápido, me forçou a abrir a boca. Ele despejou o conteúdo do copo e para meu temor, era sangue. Tentei desvencilhar, mas a mão que mantinha minha boca aberta era mais forte. Fui forçada a beber até a ultima gota e então, ela me largou.
 
Apesar do gosto ruim, aquilo saciou a minha fome e minha cabeça parou de doer.
 
- Viu como se sente melhor? Agora você é uma de nós e precisa de sangue pra se manter viva. - ele explicava. - você é mais forte e mais rápida que qualquer ser humano. Pode ouvir coisas a metros de distância, dependendo pode voar e ler pensamentos, só o tempo dirá. Não pode nem pensar em andar no sol ou virará cinzas.
 
Eles me ensinaram algumas coisas, me alimentei junto deles porque me obrigaram, pois quando me deixavam sozinha não queria comer. Fui forçada a cometer atrocidades, pois eles se aproveitavam da minha falta de controle. Descobri que o bisavô de meu pai estava vivo, como nunca, ele mandou que me transformassem, sem se importar com o efeito colateral. Nunca tive a oportunidade de encontrá-lo e tirar satisfações. Já tentei me matar antes, o que fez com que eles ficassem sempre no meu encalço, a mando do bisavô de meu pai, retirando minha liberdade, por anos.
 
nascer-sol-cidade1Hoje, eu consegui fugir dos dois, pensei muito a respeito do que estou prestes a fazer - pois até poderia viver fugindo deles, mas eu não teria a verdadeira liberdade, porque teria sempre que olhar por cima do ombro e dormir com um olho aberto - e cheguei a conclusão de que só assim conseguiria tê-la, não em carne mas em espírito, pelo menos meu espírito seria livre e poderia reencontrar meus amigos e a paz.
 
Assinei meu nome, escrevi para que fosse entregue no endereço da casa dos meus pais e joguei o caderno na frente da residência, a qual, eu estava sentada no telhado, para que o dono recolhesse, lesse essas memórias, levasse ao destino que anseio e assim dar um fechamento pro caso "Cinco jovens vão passar final de semana em uma fazenda do interior de São Paulo, quatro morreram e uma está desaparecida.", ocorrido há sete anos.
 
O sol vem vindo no horizonte, posso sentir cada célula do meu corpo querendo se esconder e conforme avança sobre as casas o medo e a ansiedade me dominam. Uma lágrima, de sangue involuntária, escorre pelo meu rosto, sou atingida por seus raios que queimam, ardem, feridas imensas se abrem, minha carne rasga toda, a dor é insuportável, mas é a dor da liberdade, em segundos, não sinto nada, meu corpo virou cinzas e meu espírito está livre.

Autora: Milly Pellegrini
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09 junho 2012

Alice se foi

sad_anime_111 A cacofonia dos sons noturnos da grande cidade distraia os transeuntes que passavam pelas ruas madrugada afora. Mas um murmúrio chamou a atenção dele. Um choramingo baixo, quase imperceptível. Se sentiu atraído pelo som como uma mariposa pela cegante luz. Alguém devia estar chorando nas proximidades. O som parecia ser feminino, frágil como uma porcelana . A parca luz proveniente dos postes de iluminação não era tão propícia para a busca que o homem desejava realizar. Procurou alguma forma feminina na rua escura, mas nada encontrava. Até que avistou uma silhueta encurvada sentada num sujo paralelepípedo. Ela chorava copiosamente. Suas lágrimas haviam feito a maquiagem em seu belo rosto escorrer e marcar em traços pretos suas bochechas.

Conforme ele se ajoelhou a seu lado, a moça estremeceu. Seu choro ficou mais intenso. Ele notou a roupa que ela vestia, mesmo na fraca luminosidade. Suas vestes diziam que ela havia acabado de sair de uma boate. Mas algo errado deve ter acontecido pois já passavam das 3 e ela se encontrava sozinha numa rua escura e deserta. Ele se aproximou mais um pouco e tentou falar com ela. Seu choro cessou por um instante enquanto levantava seu rosto manchado para encarar o estranho. O medo espalhou pelo seus olhos, sua boca vermelha e bem desenhada se abriu levemente. Ele tentou se desculpar e ofereceu sua ajuda a qual ela recusou com o simples balançar de sua cabeça. Seus cabelos dourados cortados na altura da nuca brilharam no momento que os balançou. Ele olhou fascinado pela beleza da moça.

- Você está bem? Realmente não precisa de ajuda? – Insistiu ele mais uma vez ao ver que ela negava mais uma vez.

Ela voltou a abaixar a cabeça e suas lágrimas aumentaram. Ele estava perdido na confusão da moça. Não conseguia entender nada do que estava acontecendo. Ele foi interrompido de suas divagações quando percebeu que ela murmurava algo. Um nome repetidamente. Como num lamento aos mortos as palavras saiam de sua boca. Ele tentou por mais de uma vez entender o que ela dizia, mas o choro ininterrupto dificultava. Ele exalou profundamente tentando manter a calma.

Ela suspirou e olhou para o rosto do homem agachado a sua direita. Ela percebeu o ar de preocupação que exalava. Os olhos verdes a encaravam intensamente. As sobrancelhas dele franziam conforme as perguntas passavam por sua mente. Sua boca levantou-se um pouco num singelo sorriso encorajando-a a falar.

- Alice se foi!- Ela disse sem fôlego. – Se foi e jamais irá voltar...

Ele então largou a jaqueta de couro que segurava e se atreveu a jogar um dos braços ao redor da indefesa mulher que balbuciava as mesmas palavras que para ele eram sem sentido. Ele a manteve segura em seu abraço espontâneo e simples e a sentiu relaxar um pouco.

- Moro no final dessa rua. Estava vindo da casa de um amigo e se você deixar talvez possa te ajudar. Venha comigo e poderá se aquecer um pouco e ligar para alguém vir busca-la. – ofereceu ele

Ela pensou um pouco. Na verdade, muito. Mas o medo de estar na rua a noite era maior que ir até a casa desse estranho. Não era confiável. Mas o que mais ela poderia fazer. Estava completamente desesperada e perdida.

Ele a encaminhou até seu apartamento no fim da rua principal. Abriu a porta do prédio como um perfeito cavalheiro e disse baixinho:

- Por sinal, chamo-me Icaro.

Ela olhou naqueles esperançosos olhos verdes e nada disse. Deixou-o a conduzir até o apartamento onde ele ofereceu algo para beber. Ela negou a água com açúcar e pediu uma dose de vodka. Enquanto bebiam, ela tentou contar parte de sua história para o seu salvador.

Ela era de uma cidade interiorana e acabara de se mudar para a casa de uma amiga. Estava há apenas 2 meses em São Paulo e deparara-se com uma realidade completamente diferente. Sentia-se num mundo diferente. Um mundo que girava ao redor de festas, bebidas, sexo e drogas. Tentou esclarecer que nunca havia sido uma usuária de drogas pesadas, apenas da maconha que compartilhava com os amigos. Ela riu ao repetir a palavra. Esses eram seus amigos na cidade grande. Estranho como em poucos meses podemos chamar as pessoas erradas de amigos.

Enquanto ela contava ele fixava seus olhos nos brilhantes olhos amarelos dela. Agora na luz ele percebia as íris rajadas de verdes, uma perfeita coloração. Até que ele realizou que ela ainda estava com o rosto manchado de sua maquiagem. Ele a interrompeu por apenas um momento oferecendo um lenço de papel. Aproximou o lenço do rosto polido como o mais branco marfim e carinhosamente limpou os resquícios da maquiagem borrada que escorrera pelas bochechas. Os olhos de ambos se encontraram por um breve momento e o tempo congelou. Faíscas surgiram do contato de sua pele no rosto delicado dela. E como tivessem levado uma descarga elétrica se afastaram bruscamente e ela retomou sua história.

Ela estudava publicidade e tinha apenas 20 anos, mas sua vida mudou completamente ao participar ativamente das festas. Sua vida era melhor agora dizia a amiga. “Agora você é uma mulher e vive em São Paulo, aproveite a vida e tudo o que a cidade oferece” diziam seus amigos. Mais uma vez riu, um riso amargo que Icaro percebeu. Sua voz era doce, mas trazia uma profunda tristeza. Icaro a interrompeu mais uma vez:

- Quem é Alice? Ela morreu?

“Alice”, ela repetiu e de repente mais algumas lágrimas rolaram por seu rosto perfeito. Alice era uma jovem decidida, forte e que veio a São Paulo em busca de seus sonhos. Uma pessoa doce e bonita que fazia de tudo pelos amigos e a família. Uma alma carente de amor, mas que sabia amar a todos sem distinção. Ela não aguentou a pressão. Enlouqueceu, seus sonhos foram destruídos e pisados como folhas secas. Sua auto estima arrasada. Sua alma ficara em pedaços.

- Ela se foi! Nunca mais irá voltar! – ela sussurrou entre lágrimas.

Icaro ficou um momento em silêncio tentando absorver a história. Ele simplesmente não via uma ligação entre as duas. Seria Alice a tal amiga com quem a bonita mulher a sua frente morava? Seria Alice uma outra amiga? E quem seria essa misteriosa jovem que ele não parava de admirar?

Ela aceitou o silêncio dele, e aproveitou para servir-se de outra dose de vodka. Ela não podia contar toda a verdade para ele, ou podia? Ela encontrou mais uma vez aquelas esmeraldas e percebeu o quanto atraída estava por aquele homem. Ele é bonito, de fato. Alto, mais ou menos com 1,90 e braços e abdome bem definidos por baixo da camisa justa azul clara. Ela suspirou. Esse Icaro era lindo e mais que tudo gentil e doce com ela. A aceitara num momento de fragilidade e não tentara nenhum avanço indecoroso. Ela olhou para o rosto dele mais uma vez. Seu rosto era bem definido e sua barba estava por fazer. Não podia ser mais lindo.

- Você está bem? – a voz rouca dele a tirou do transe hipnótico causado por aqueles belos olhos.

- Não. Pois Alice não está comigo. Hoje percebi que ela se foi realmente. A mataram. Eles acabaram com ela. – exclamava a jovem.

anime amor casal beijo apaixonado menin menino paixão amor nós - Como assim?!? Calma, respira fundo. Me ajude a entender tudo o que disse. Estou aqui para te apoiar – ele se aproximou dela e a abraçou firmemente.

Ela desabou em seu abraço. Deixou o calor do corpo dele confortá-la. Ele sussurrou coisas doces em seu ouvido. Ele estava lá para apoiá-la. Icaro tentava protege-la de um mau qual desconhecia. Ela sentiu quando ele acariciou a linha de sua mandíbula com um dedo. O toque era mágico, prometia curas, amor e proteção. Tudo que ela mais desejava. Ele levantou levemente o pescoço dela e tocou os lábios com os seus. O beijo foi suave, mas o desejo por trás era inegável. Em pouco tempo ambos estariam entregues a uma paixão arrebatadora.

- Você não me disse seu nome... – ele disse ao retomar fôlego após o beijo.

- Eu não sabia quem eu era naquela hora. Mas pode me chamar de Alice.

Autora: Juliana M.

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30 abril 2012

Teoria do caos

1217439351984_f Aquela borboleta era imensa para os padrões de sua espécie. As luzes e a claridade ao redor faziam questão de enfatizar o brilho e a perfeição das cores do arco-íris estampado em suas costas. De repente, suas asas bateram...
Neste mesmo instante uma estrela morria na escuridão longínqua do universo, iluminando tudo ao redor através da expressiva metamorfose de uma gigantesca supernova. Seu brilho foi tão intenso que pôde ser visto da Terra, quatro mil anos depois.
A borboleta voou e pousou sobre o ser feito de barro que permanecia no chão. Um forte vento vindo de cima deu-lhe vida, o que a desorientou por um instante. Logo percebeu que havia ganhado um nome, enquanto atravessava a parede dimensional e invisível do infinito.
Suas asas bateram pela última vez quando a menina a espetou com um alfinete e a colocou num quadro feito de isopor, embaixo de enormes letras que juntas formavam a frase “preserve a natureza”.

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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29 abril 2012

Invenções da Humanidade I

Bola de futebol copy A humanidade em seus primórdios era muito criativa.
Um homem do início dos tempos certo dia parou de caçar e observou o mar em toda sua extensão. As águas batiam nas rochas e traziam muitas algas. Ele notou que as algas uniam-se umas às outras através de pequenos filamentos formando uma teia completa natural, que podia comunicar-se entre si.
Largou tudo o que estava fazendo, rolou uma pedra de tamanho médio até a praia e começou a distribuir os filetes de algas em cima da esfera. Após um dia inteiro coletando e montando o “quebra-cabeça”, o homem parou e observou seu trabalho: a esfera parecia o planeta Terra, recoberta por uma teia de algas que se interligavam. O homem foi dormir satisfeito com sua idéia. A “teia mundial” iria mudar o mundo, a forma de comunicação a distância e vislumbrou as tecnologias que seriam possíveis através daquela invenção.
À noite a maré subiu, engolindo a esfera e levando consigo toda a teia de algas montada pelo homem. De manhã cedo, ao voltar ao local e ver que todo seu trabalho tinha sido jogado fora, sobrando apenas a esfera, com raiva chutou a pedra redonda o mais longe possível, indo parar aos pés de seu vizinho.
100525futebol_f_014peb
- Droga!
Seu vizinho irritado com a audácia de jogarem uma pedra em sua casa a chutou de volta. O homem parou a esfera com os pés e soltou o primeiro palavrão de que se tem registro, correndo e lançando-a de volta. Passaram o dia inteiro fazendo isso.
E assim o homem inventou o futebol...

Autor: Brian Oliveira Lancaster

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01 abril 2012

A garota dos bastidores

4c83dda4-26ec-4092-89c5-2cdd5e174aad Jaques olhou mais uma vez para Ana. Sentiu apenas uma sensação incontrolável de fastio. Não agüentava mais as súplicas, os lamentos, a sua voz sempre pedindo, pedindo por amor. Ana fingia que não percebia. Mas ele sabia que, no fundo, ela sabia. Não a amava mais.
Foi então que aquela garotinha magra de longos cabelos castanhos chamou a sua atenção. Em meio ao frenético vai-e-vem do pessoal da produção do megashow, ela estava destoando, escondida nas sombras da coxia. Alguém diferente. Estava farto das pessoas que viviam ao seu redor como mariposas. Como Ana. Pensou em divertir-se um pouco.
Aproximou-se e, fingindo casualidade, comentou algo a respeito da estréia prevista para amanhã. A garota, quase uma adolescente, pareceu completamente desnorteada. Jaques, o grande astro de rock, estava mesmo falando com ela? Não era hipócrita a ponto de aborrecer-se com essa adoração. Jaques, o superastro, certo? Se não causasse esse frisson, podia procurar outro emprego. E isso ia ser bem difícil. Não era um dos caras mais inteligentes que conhecia. Tinha a aparência. Tinha a voz. Tinha a qualidade de parecer sempre um animal sensual. E era tudo. Mas considerava-se esperto o suficiente para saber disso e aproveitar o máximo enquanto durasse. Como fizera com a sua relação com Ana. Ora, esqueça Ana, disse para si mesmo. Chegou mais perto da garota e disse mais algumas gracinhas bobas. O que importa é o modo de dizer. Isso ele sabia. A menina ficou vermelha e respondeu algo inaudível. Tudo bem, ela estava nas suas mãos. Será que era virgem? Tão sem-gracinha que era capaz. Nunca tinha sido o primeiro antes. Quem sabe desta vez.
Afastou-se das pessoas, conduzindo a menina pelos corredores. Estava um tanto escuro e ele não conseguia ver direito, só sabia que a garota agarrava-se ao seu braço, tremendo um pouco. Era só uma brincadeira, mas ela estava levando a sério. Sério demais. Problema dela... Que nada, problema dele se ela for menor. Talvez fosse melhor desistir da garota antes que seja tarde. É, ia falar pra ela. Só não o fez porque um homem vinha em sua direção. Era um dos cenaristas, pois trazia uma espécie de saco de lona na mão.
Curioso como as coisas podem mudar de repente. A visão do homem carregando um saco... A pressão das mãos da garota no seu braço. A picada de uma injeção. Um instante depois, estava no chão, atordoado. A menina sobre ele, a sua mão fria tampando a boca dele. “Não grite, Jaques” dizia ela, baixinho. “Não se mexa, não vai demorar nada...” O que estavam fazendo? Viu o rosto tenso da garota. O homem se aproximando com o saco. Cobrindo o seu corpo paralisado. E depois não viu mais nada.
Acordou amarrado e amordaçado numa cama, num quarto sem janelas. Havia dois homens ali - um deles era o mesmo que o trouxera. Um homem grande e forte com fartos cabelos ruivos e pele clara. Um rosto inesquecível. O outro era mulato, também forte e jovem. O fato de estarem com os rostos descobertos só aumentou o seu pavor. Não tinham receio de serem reconhecidos. Será que iam matá-lo?
- Não tenha medo, meu amor.
A garota também estava lá, e era difícil de acreditar que era a mesma. Havia no seu rosto uma expressão cruel que nem de longe transparecia antes. Parecia bem mais velha. Mais do que Ana. Não podia deixar de imaginar que, se não tivesse deixado Ana, isso não teria acontecido.
- Não vamos matar você.
Ela aproximou-se e sentou-se na cama. Acalme-se, pensou Jaques, tentando se controlar. A garota o enganara com uma grande atuação, o seu comparsa o dopou e, talvez com a ajuda do outro homem, o trouxeram para o cativeiro. Era só. Pediriam uma fortuna por ele e o seu empresário ia pagar, fazendo das tripas o coração. E seria solto. Um final feliz. Mas que seja logo, pelo amor de Deus... A garota sorria de um modo estranho. Ela não é normal, pensou, apavorado.
- Peguem a Polaroid. - ela ordenou.
Jaques foi fotografado em vários ângulos. O rosto com a mordaça. As mãos amarradas. A tatuagem de cobra no peito. Por fim, um plano geral do corpo na cama.
- Prontinho, meu querido... - a voz dela era radiante, como se fizesse uma travessura. - Agora, vamos enviar estas fotos junto com o pedido de resgate. Não acha que eles vão pagar rapidinho quando o virem nesse estado? Se não pagarem, vamos mandar para os jornais! E depois, começaremos a enviar coisas mais chocantes. Quem sabe, eles prefiram recebê-lo de volta em partes?
- Precisa dizer isso? - disse o homem ruivo. - Ele já está bastante assustado.
Ela riu. Gargalhou, na verdade. Depois, saiu do quarto, levando as fotos. Os dois seqüestradores não falaram mais.
Passaram-se várias horas e as cordas feriam seus pulsos. Ele reclamou, gemendo, e foi atendido pelos carcereiros. A mordaça foi removida e os nós foram afrouxados. Mesmo assim, era difícil não sentir as câimbras que começaram a atormentá-lo. Por sorte, a garota voltou.
- Vejam, garotos, que maravilha...
Ela abriu uma bolsa de viagem e espalhou milhares de cédulas de dez, vinte e cinqüenta dólares sobre o corpo de Jaques. Uma quantidade impressionante. Ele estava quase feliz, também. Sentia-se aliviado com a competência do empresário.vampira01
- Quando vão me soltar? - ousou falar.
Os dois homens mantiveram-se em silêncio. A garota parou de sorrir. Jaques sentiu os cabelos se eriçarem.
- Mas vocês receberam o resgate! Precisam me soltar...
A garota o fitou com frieza.
- Jaques, você não entendeu nada, não é? Já tenho o que queria dos humanos. Dinheiro, muito dinheiro para me manter isolada, protegida por um longo tempo... Agora que está tudo resolvido, posso fazer o que quiser com você...
Jaques olhou, horrorizado, para os rostos penalizados dos dois seqüestradores. E depois para a boca da garota, cuidadosamente pintada com batom vermelho. Os lábios estavam entreabertos. A língua rosada movia-se com volúpia. Notou pela primeira vez os caninos salientes de um predador. Um animal feroz. Uma vampira. E ela salivava de fome...

Autora: Giulia Moon

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01 janeiro 2012

2012


Desejo a você, leitor do blog, um excelente 2012, com muita saúde, paz, prosperidade, dinheiro, realizações, amor, carinho, coragem e tudo o que existir de bom. 


Vou deixar aqui uma música que eu e muitas pessoas cantavam quando eram crianças:
"Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo. Que tudo se realize no Ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender. Para os solteiros, sorte no amor, nenhuma esperança perdida. Para os casados, nenhuma briga, paz e sossego na vida." ♫


Essa canção reflete bem o que eu desejo a todos que por aqui passarem, a todos que sempre vem visitar o blog, leem os textos, dão seus pitacos. Enfim espero um 2012 com mais postagens, com mais contos, mais resenhas e mais comentários por parte de vocês, leitores, que motivam esta blogueira a continuar postando! Que 2012 seja especial pra você!


Fico por aqui, até a próxima! :)

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